sábado, 30 de junho de 2012

Aprovado em Goiás projeto que reestrutura carreira de delegado, reajusta subsídio e cria bônus de incentivo

E a PMGO?


Foi aprovado, pelo Plenário, em segunda e definitiva votação, projeto de lei que reestrutura a carreira dos delegados de polícia do Estado de Goiás, no que diz respeito à remuneração da categoria. A matéria promove alterações na Lei Orgânica da Polícia Civil e na Lei que dispõe sobre o subsídio da carreira dos delegados, além de criar bônus de incentivo. A proposta foi acatada pelos deputados na sessão ordinária desta quinta-feira, 28.

Protocolado na Assembleia como processo nº 2.416/12, o projeto abrange os seguintes pontos: criação do cargo de delegado de polícia substituto como nova classe inicial da carreira; alteração do tempo de promoção; fixação de novos quantitativos para as classes do cargo de delegado de polícia; enquadramento dos delegados de polícia ativos e inativos para a classe imediatamente superior, exclusivamente uma única vez; criação do cargo de delegado de polícia especial I; criação do bônus de resultados destinado a estimular os delegados de polícia ativos; reajuste dos valores dos subsídios dos delegados de polícia ativos, inativos e aos seus pensionistas em 10%, em janeiro de 2013, e mais 10%, em janeiro de 2014.
A proposta estipula ainda que o Bônus por Resultados será concedido mensalmente, após avaliações quadrimestrais, com valores entre 5% a 20%, por critérios de mérito. As regras serão definidas posteriormente pelo Chefe do Executivo. 

Fonte: Portal da AL-GO

sábado, 23 de junho de 2012

Ataques do PCC

A transferência de Roberto Soriano, o Betinho Tiriça, para o presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes (a 589 km de São Paulo), é uma das hipóteses investigadas pelos setores de inteligência das polícias Civil e Militar para explicar os ataques contra policiais militares.


Condenado por tráfico, Soriano é, segundo investigações, do "primeiro escalão do grupo criminoso PCC (Primeiro Comando da Capital).

Ele estava na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (a 620 km de SP), onde o governo paulista coloca todos os presos com influência no PCC.

Ele foi mandado para Bernardes depois de uma carta escrita por ele com ameaças contra PMs ser apreendida em sua cela.

Na carta, segundo membros das polícias Civil e Militar e da Promotoria, Soriano falava sobre atentados contra PMs, tráfico de drogas e sobre as mortes de seis membros do PCC em maio, durante uma operação da Rota.

Ataque contra a PM

Eduardo Anizelli/Folhapress
Carro que foi usado por criminosos para atacar uma base da Polícia Militar na Vila Campanela, zona leste de Sao Paulo Leia mais

ISOLADO
Em Presidente Bernardes vigora o RDD (Regime Disciplinar Diferenciado). O preso passa 23 horas por dia trancado e, quando sai para o banho de sol, não tem contato com outros detentos.

Por essa e outras restrições, inclusive não manter contato físico com visitantes, o presídio é considerado o mais rígido de São Paulo.

Até as três ondas de ataques do PCC contra as forças de segurança do Estado em 2006, o RDD operava com capacidade máxima. Atualmente, apenas 49 presos estão no lugar, que tem 160 vagas.

Outra evidência de que as mortes de cinco PMs, entre o dia 13 e ontem em São Paulo, são uma retaliação do PCC é um gravação telefônica feita dia 14 pelo Denarc (departamento de narcóticos).

Na gravação, integrantes da facção criminosa presos e outros em liberdade tratam da morte de policiais.

Editoria de Arte/Folhapress

ASSOCIAÇÃO

Diretor da Associação dos Policiais Militares de São Paulo, Dirceu Cardoso Gonçalves afirmou ontem que o Estado precisa dar uma resposta rápida e concreta sobre o que tem motivado as mortes dos policiais em São Paulo.

"Existe uma tensão muito grande neste momento no Estado. Assim como o jornalista tem a caneta como arma, o policial tem uma arma na mão o tempo todo. E isso, num clima de tensão, pode gerar erros", disse.

"Sem o governo esclarecer o que tem acontecido, o policial, pressionado e com receio de perder a vida, pode cometer excessos e matar criminosos e também inocentes", explicou.

Com os ataques contra PMs sem solução e com a suspeita de que eles sejam retaliação do PCC, de acordo com Gonçalves, a sociedade também incorpora o mesmo receio dos PMs.


ANDRÉ CARAMANTE

Fonte: Folha de São Paulo

domingo, 17 de junho de 2012

Bolsa Família reduz violência, aponta estudo da PUC-Rio


Programa foi responsável por 21% da queda da criminalidade em SP




A redução da desigualdade com o Bolsa Família está chegando aos números da violência. Levantamento inédito feito na cidade de São Paulo por pesquisadores da PUC-Rio mostra que a expansão do programa na cidade foi responsável pela queda de 21% da criminalidade lá, devido principalmente à diminuição da desigualdade, diz a pesquisa. É o primeiro estudo a mostrar esse efeito do programa na violência.
Em 2008, o Bolsa Família, que até ali atendia a famílias com adolescentes até 15 anos, passou a incluir famílias com jovens de 16 e 17 anos.
Feito pelos pesquisadores João Manoel Pinho de Mello, Laura Chioda e Rodrigo Soares para o Banco Mundial, o estudo comparou, de 2006 a 2009, o número de registros de ocorrência de vários crimes — roubos, assaltos, atos de vandalismo, crimes violentos (lesão corporal dolosa, estupro e homicídio), crimes ligados a drogas e contra menores —, nas áreas de cerca de 900 escolas públicas, antes e depois dessa expansão.
— Comparamos os índices de criminalidade antes e depois de 2008 nas áreas de escolas com ensino médio com maior e menor proporção de alunos beneficiários de 16 e 17 anos. Nas áreas das escolas com mais beneficiários de 16 e 17 anos, e que, logo, foi onde houve maior expansão do programa em 2008, houve queda maior. Pelos cálculos que fizemos, essa expansão do programa foi responsável por 21% do total da queda da criminalidade nesse período na cidade, que, segundo as estatísticas da polícia de São Paulo, foi de 63% para taxas de homicídio — explica João Manoel Pinho de Mello.
O motivo principal, dizem os autores, foi a queda da desigualdade causada pelo aumento da renda das famílias beneficiadas.
— Há muitas explicações de estudos que ligam queda da desigualdade à queda da violência: uma, mais sociológica, é que diminui a insatisfação social; outra, econômica, é que o ganho relativo com ações ilegais diminui — completa Rodrigo Soares.
Outra razão é que muda a interação social dos jovens ao terem de frequentar a escola e conviver mais com gente que estuda.

Alessandra Duarte e Sérgio Roxo

Fonte: O Globo

sábado, 16 de junho de 2012

Diadema reduz 90% dos homicídios após dez anos da lei de fechamento de bar

Receita



Dez anos depois de implementar a Lei 2.107/02, que ficou conhecida como Lei de Fechamento de Bares, a cidade de Diadema, na Grande São Paulo, registrou uma redução na taxa de homicídios de 90,74%. Apontada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das dez melhores políticas públicas de combate ao consumo de álcool, a lei, junto com outras políticas públicas, foi determinante para a diminuição no número de homicídios em Diadema. A cidade em 1999 tinha a maior taxa de assassinatos do estado de São Paulo – 102,8 mortes para cada 100 mil habitantes - e, em 2011, reduziu esse índice para 9,52 para cada 100 mil habitantes.

“A gente tinha um diagnóstico de que os homicídios ocorriam das 23h às 4h da manhã e que tinham uma intercorrência muito grande com episódios em bares. Fizemos um corte radical de fechar os bares. Mas não foi só isso, a lei estava dentro de um plano municipal. Intensificamos as políticas para adolescentes, para mulheres, as políticas de educação”, conta a secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Miki, que era secretária de Defesa Social de Diadema quando a lei foi implementada.

Regina explica que a legislação foi precedida de um amplo diagnóstico das causas dos homicídios na cidade e que a replicação da lei em outras cidades pode não produzir os mesmos resultados. “Temos de criar leis para cada situação. Diadema necessitava dessa lei, mas eu creio que outras cidades talvez não necessitem. Não posso dizer que uma lei nacional para fechar bares traria resultado”, diz.

Segundo a prefeitura, a maioria dos assassinatos na cidade, antes da aplicação da lei, ocorriam a partir de brigas, acertos de contas e por débito no tráfico de drogas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município tem 386 mil habitantes.

“O grande mérito da lei de Diadema foi a forma como ela foi construída e implementada. Foi feita a partir de um trabalho de discussão com a sociedade. Outro mérito é que ela foi de fato aplicada. A fiscalização foi e é constante”, diz Carolina Mattos Ricardo, coordenadora de Gestão da Segurança Pública do Instituto Sou da Paz .

Carolina diz que a lei não teria produzido sozinha resultados positivos. Ela destaca a implementação de outras políticas públicas que, em conjunto com a nova legislação, fez reduzir a taxa de homicídios. “Diadema foi uma das cidades onde mais se recolheu armas de fogo em 2004 e 2005. Não é só a lei sozinha, houve um investimento forte em melhoria da polícia, em práticas preventivas e outras ações”.

Entre as diversas políticas públicas de segurança implantadas na cidade estão a criação do Centro Integrado de Videomonitoramento, o Serviço de Mediação de Conflitos e três planos Municipais de Segurança, o último lançado em novembro de 2011, que tem como meta, para os próximos cinco anos, estabilizar a taxa de homicídios em um dígito por grupo de 100 mil habitantes.

A polícia utiliza de seis a 15 agentes e de três a oito fiscais da prefeitura para monitorar a aplicação da lei na cidade, que tem cerca de 30 quilômetros quadrados. Desde 2002, foram fechados 32 estabelecimentos que descumpriam a legislação e notificados cerca de 3 mil.

Fonte: Correio Braziliense

terça-feira, 12 de junho de 2012

Encontre sua Câmera Fotográfica roubada




Muito interessante o mecanismo desenvolvido por este site: se você perdeu ou teve uma câmera fotográfica roubada, basta digitar o serial da máquina no campo central da página e buscar por fotos que tenham sido postadas na internet oriundas do seu equipamento. Já pensou, encontrar o rosto do assaltante ou do receptador? Clique no banner para acessar o site.


Autor: - Tenente da Polícia Militar da Bahia, associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e graduando em Filosofia pela UEFS-BA. | Contato: abordagempolicial@gmail.com

sábado, 9 de junho de 2012

A Polícia Federal sobe nos tamancos e protesta


Rio de Janeiro




A Polícia Federal aproveitará a Rio+20 para fazer manifestações contra o governo Dilma. Com o slogan “A PF dá o sangue pelo Brasil”, delegados e agentes farão panfletagem no Galeão dia 18, auge da chegada de estrangeiros para a Conferência e, nos dias seguintes, percorrerão locais próximos ao evento criticando as condições de trabalho. Dia 20, quando Dilma chegará ao Rio, se concentrarão no Riocentro, onde funcionará seu gabinete.

Não haverá operação padrão durante a Rio+20, garante a PF. Mas os protestos serão a forma de expor as dificuldades que enfrenta. Por exemplo: o valor da diária dos que foram deslocados de outros estados para trabalhar na Conferência será de R$ 400. A presidente Dilma assinou decreto esta semana aumentando o valor, que era de R$ 200.
Sem hotel disponível a poucos dias do evento, policiais e agentes estão correndo para alugar apartamentos e dividir as despesas. Em reunião com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, policiais brincaram que, para engordar o orçamento, iriam abrir tendas na beira da praia.

Ilimar Franco, O Globo

Fonte: Blog do Noblat

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Operação Monte Carlo - MP abre procedimentos de investigação


Envolvimento de policiais e agentes públicos citados será apurado



O MP-GO (Ministério Público Estadual) abriu um inquérito civil público e nove procedimentos preparatórios de investigação em relação à Operação Monte Carlo. A promotora de Justiça Fabiana Lemes Zamalloa do Prado instaurou os procedimentos que irão investigar as suspeitas de atos de improbidade administrativa apuradas durante a operação e contra alguns dos denunciados na ação penal do Ministério Público Federal, que está atualmente na 11ª Vara da Justiça Federal.

O referido inquérito vai apurar as condutas dos 33 policiais civis e militares acusados de envolvimento com a chamada Máfia dos Caça-Níqueis, liderada por Carlos Cachoeira. A escolha do procedimento foi feita já que os elementos de prova contra eles são mais concretos, pois o MP teve acesso à investigação da Polícia Federal. A promotora pediu que o processo corra em sigilo, em razão de as provas estarem protegidas pelo sigilo legal. Os policiais acusados já respondem à ação penal na Justiça Federal e novas documentações também foram solicitadas às Polícias Civil e Militar, incluindo informações sobre procedimentos disciplinares envolvendo os acusados.

Também serão investigados: os delegados Aredes Correia Pires, Hylo Marques Pereira, José Luiz Martins de Araújo, Mercelo Zegaib Mauad, Niteu Chaves Júnior e Juracy José Pereira; o agente da Polícia Civil Tony Batista Santos Oliveira, e os policiais militares Massatoshi Sérgio Katayama, Uziel Nunes dos Reis, Francisco Miguel de Souza, Antônio Carlos da Silva, Deovandir Frazão de Morais, Josemar Café de Matos, Antônio Luiz Cruvinel, Antonil Ferreira dos Santos, João de Deus Teixeira Barbosa, Vanildo Coelho, Teodorico Mendes Souza Filho, Adão Alves Pereira, Ana Maria da Silva, André Pessanha de Aguiar, Edmar Francisco Dourado, Emerson Rodrigues dos Santos, Jorge Flores Cabral, Júlio César Guimarães Santos, Leonam Pereira Ribeiro dos Santos, Leonardo Jefferson Rocha Lima, Luís Fabiano Rodrigues da Silva, Luiz Cláudio de Souza, Marco Aurélio Barbosa da Costa, Milton Ferreira Biliu, Valdemir Rodrigues de Araújo e Witer Dantas da Costa.

Já os procedimentos preparatórios de investigação abrangem agentes públicos no âmbito de apuração do MP citados na Operação Monte Carlo. A promotora julgou necessário colher mais esclarecimentos sobre as suspeitas levantadas, como o compartilhamento das provas encaminhadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal), já que o material apurado parte de notícias divulgadas pela imprensa. Neste caso, serão investigados: Alexandre Baldy, secretário de Indústria e Comércio; Edemundo Dias, presidente da Agência Prisional; Edivaldo Cardoso, ex-presidente do Detran-GO; Eliane Gonçalves Pinheiro, ex-chefe de gabinete do governador Marconi Perillo; Gilberto Ferro, delegado do 8º Distrito Policial; João Furtado, secretário de Segurança Pública; Ronald Bicca, ex-procurador-geral do Estado; Thiago Peixoto, secretário de Educação, e policiais do 8º DP.

Além deles, dois membros do próprio MP: o procurador-geral de Justiça, Benedito Torres Neto, e o promotor de Justiça Alencar José Vital. O procurador, que é irmão do senador Demóstenes Torres, afirmou que todas as medidas jurídicas cabíveis estão sendo adotadas “sobre o que foi publicado deturpada ou indevidamente” a seu respeito.

Em detrimento da amplitude das investigações, Fabiana Zamalloa ainda determinou que cada promotoria se responsabilize pelas apurações já em andamento, delimitando os fatos apurados por ela, com auxílio da também promotora Marlene Nunes. Dessa forma, as apurações relativas aos contratos com a Delta seguirão na 57ª Promotoria de Justiça, assim como as acusações sobre vereadores de Goiânia e outra sobre a promoção de coroneis da PM; já na 50ª Promotoria seguem as investigações sobre o Parque Mutirama e os serviços prestados ao Detran. O procurador-geral em exercício, Pedro Tavares Filho, se responsabilizou pelas investigações sobre o governador Marconi Perillo.


Déborah Gouthier
Fonte: Jornal Opção

segunda-feira, 21 de maio de 2012

CPI reacende embate entre PF e MPF


MP X PC



A CPI do Cachoeira reacendeu uma batalha travada há anos nos bastidores entre procuradores e policiais no País. O motivo é a tramitação, em passo acelerado, da PEC 37, proposta de emenda constitucional que tira poderes do Ministério Público e dá exclusividade de investigações às Polícias Federal e Civil.

Hoje, o MP pode conduzir investigações e não aceita em nenhuma hipótese perder o controle hierárquico dos inquéritos.

Os dois lados radicalizaram nos ataques e o conflito já ameaça o resultado das investigações. A crise atingiu grau elevado nos últimos dias com declarações dos delegados das operações Vegas e Monte Carlo, que acusaram o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e sua mulher, Cláudia Sampaio, de "segurarem", em 2009, o primeiro inquérito com provas que ligavam o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) à quadrilha do contraventor Carlinhos Cachoeira.

"O MP fica com esse discurso totalitário, imperial, mas o fato é que mal realiza suas tarefas e não tem preparo técnico-científico para comandar investigações nem treinamento para enfrentar bandidos na rua", disse o delegado Marcos Leôncio Ribeiro, presidente da Associação Nacional dos Delegados Federais.

"O monopólio da investigação pela polícia afronta o estado de direito", rebateu o procurador Alexandre Camanho de Assis, presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República.


Vannildo Mendes, Estadão.com.br

sábado, 19 de maio de 2012

México: Terceiro general é preso por ligações com crime organizado


Advogado de general preso no México afirma que há irregularidades no processo



Braço-direito do presidente Felipe Calderón na guerra iniciada em 2006 contra o crime organizado, o Exército entrou na mira da Justiça mexicana. O governo abriu uma investigação contra três generais de alto comando do Exército numa mesma semana — dois deles já reformados em cargos de confiança.

Eles ficarão detidos por 40 dias, tempo que será usado para a apresentação de provas de supostas ligações dos militares com o narcotráfico. A terceira prisão, dois dias depois da detenção de dois generais mexicanos, despertou a indignação da opinião pública a um mês e meio das eleições presidenciais e reabriu a discussão sobre o uso das Forças Armadas no combate ao crime organizado.

A detenção que mais causou surpresa foi a do general reformado Tomás Ángeles Dauahare, que chegou a ocupar o cargo de vice-ministro da Defesa. Além dele, foram detidos o general Roberto Daw González, ainda na ativa, e, na quinta-feira, o general reformado Ricardo Escorcia Vargas.

Os três generais não são os primeiros militares investigados no país. No governo de Vicente Fox, foram processados os generais Francisco Quirós Hermosillo e Mario Arturo Acosta Chaparro. Anteriormente, no mandato de Ernesto Zedillo, o general Jesús Gutiérrez Rebollo, então responsável pelo programa antidrogas do governo, foi acusado e continua preso.


Elisa Martins, O Globo

Fonte: Blog do Noblat

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Arma de fogo faz inimigo parecer maior e mais forte

Cérebro tende a exagerar tamanho do adversário a partir da ameaça representada por um eventual objeto em seu poder

Homem com arma
Participantes do estudo indicaram que pessoas com objetos periogosos nas mãos, como armas, aparentam ser maiores (Getty Images/iStockphoto)

Um estudo produzido por antropólogos da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) mostrou que pessoas segurando armas parecem mais altas e mais fortes do que realmente são. A pesquisa, publicada hoje na revista PLoS ONE, é parte de um projeto do Escritório para Pesquisas Científicas da Força Aérea dos Estados Unidos. O objetivo é entender como pessoas tomam decisões em situações de conflito.

O estudo foi feito em três etapas distintas, com pessoas recrutadas através de anúncios na internet. Da primeira fase do experimento participaram 628 pessoas, para as quais foram mostradas imagens de quatro mãos diferentes segurando um dos seguintes objetos: uma pistola de calafetagem (ferramenta que tem a aparência de uma arma), uma furadeira elétrica, um serrote ou uma pistola.

Em geral, os participantes disseram que os modelos com a pistola nas mãos eram mais altos e mais fortes e aqueles que portavam a ferramenta de vedação, mais fracos e mais baixos. Em segundo lugar, foram indicados como mais fortes os modelos com o serrote e, em seguida, aqueles com a furadeira elétrica. A diferença entre os maiores e menores foi de 17%, em média. 

Para os pesquisadores, isso acontece porque o cérebro tende a exagerar o tamanho do adversário a partir da ameaça representada pelo objeto em seu poder. Trata-se de um mecanismo mental inconsciente semelhante ao que acontece com um animal que se defronta com um adversário 'armado' de grandes chifres ou caninos. "Nós estamos explorando a forma com que as pessoas acreditam que vão vencer um conflito e como essas impressões afetam suas decisões para entrar ou não na briga", diz  Daniel Fessler, principal autor do estudo e professor de Antropologia da UCLA.

Testes complementares — Com a preocupação de que as descobertas pudessem ter sido influenciadas pela cultura popular, o grupo conduziu outros dois estudos usando objetos diferentes. Um novo grupo de 100 pessoas avaliou o perigo representado por um pincel, uma faca de cozinha, e uma arma de brinquedo, brilhante e colorida. Foi pedido aos participantes que apontassem o tipo de pessoa que melhor se associasse ao objeto: uma mulher, uma criança ou um homem. Os participantes associaram as mulheres à arma mais letal, a faca de cozinha, o pincel foi mais relacionado a homens, e a arma de brinquedo a crianças.

A última rodada de testes foi realizada com 541 novas pessoas. A esse grupo foram apresentadas mãos masculinas segurando a faca, o pincel e a arma de brinquedo. Os pesquisadores pediram ao grupo para estimar o peso e a musculatura desses modelos de mãos. Mais uma vez, homens com o objeto mais letal, nesse caso a faca, foram julgados como maiores e mais fortes, seguidos pelos que seguravam o pincel e, por último, a arma de brinquedo. "Não é a arma do Rambo, é apenas uma faca de cozinha, mas ainda assim é letal", afirma Holbrook. "E os participantes responderam de acordo, estimando que o dono desse objeto é maior e mais forte do que o restante."


CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Weapons Make the Man (Larger): Formidability Is Represented as Size and Strength in Humans

Onde foi divulgada: revista PLoS ONE

Quem fez: Daniel M. T. Fessler, Colin Holbrook, Jeffrey K. Snyder

Instituição: Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA)

Dados de amostragem: 1269 cidadãos americanos

Resultado: Ao visualizar imagens de mãos de modelos fisicamente semelhantes segurando quatro objetos distintos, os participantes associaram as que continham uma arma ao sujeito mais forte e mais alto. Isso mostra que o cérebro humano tende a aumentar a altura e força de alguém que represente ameaça.





























Fonte: Revista Veja

terça-feira, 10 de abril de 2012

Contra crise, Grécia vai alugar serviços de policiais a particulares

Polícia na crise


A Grécia vai passar a alugar carros de polícia e os serviços de seus policiais, como forma de aumentar a receita do país, atualmente afundado em uma grave crise econômica.

O aluguel de uma hora dos serviços de um policial custará 30 euros (pouco mais de R$ 70) para particulares, ou companhias cinematográficas.

Um porta-voz policial disse que este tipo de serviço era oferecido gratuitamente em circunstancias excepcionais, mas seria agora uma forma de o país economizar dinheiro.

A Grécia passa pela maior recessão em sua história moderna.


Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Estatísticas de homicídios no DF em março superam as do Entorno

Ao registrar pelo menos 88 homicídios no último mês, a capital federal superou a região vizinha em 62% na comparação do total de assassinatos. A estatística também coloca o DF como uma das regiões mais violentas do país, ao lado de Rio de Janeiro e São Paulo



Acerto de contas, brigas de bar, disputas por pontos de droga e crime passional. Por esses e outros motivos, 88 pessoas foram assassinadas no Distrito Federal, apenas em março. Do total, 45 tinham antecedentes criminais. Os quase três homicídios por dia no mês colocam a capital do país entre as mais violentas do território nacional. Nem o Entorno apresentou estatísticas tão elevadas. Na região vizinha ao DF, considerada uma das mais problemáticas do Brasil, a polícia registrou 54 execuções, número 62% menor do que o de Brasília. A quantidade de vítimas em solo brasiliense no terceiro mês de 2012 supera com folga a média mensal de 2011, que ficou na casa dos 60 mortos — aumento de 46%.

No ano passado, 722 brasilienses perderam a vida pelas mãos de terceiros, média de 28,1 ocorrências para cada 100 mil habitantes. O maior e mais populoso estado brasileiro, São Paulo, indica taxas de 10 homicídios para cada 100 mil moradores. O estado do Rio de Janeiro tem índice de 26,5. As autoridades ligadas à área de segurança pública do Distrito Federal demonstraram preocupação com a situação de março. E anunciaram medidas emergenciais para evitar desempenho semelhante em abril.
 
 
Fonte: Correio Braziliense

domingo, 1 de abril de 2012

Operação Monte Carlo

Vazou a íntegra do inquérito que originou a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que desarticulou quadrilha que explorava máquinas caça-níqueis em Goiás. São três volumes imensos, contendo diálogos travados entre Carlinhos Cachoeira e a quadrilha.

Acesse antes que tirem do ar:


Fonte: Site Jurídico High-Tech

quinta-feira, 15 de março de 2012

Crescimento da violência derruba secretário em Minas Gerais

O aumento da criminalidade em Minas em 2011, após sete anos de queda, derrubou nesta quinta-feira o secretário de Defesa Social, Lafayette Andrada, apurou a Folha. O substituído será o procurador de Justiça Rômulo Ferraz.



Andrada vinha enfrentando críticas de especialistas em segurança. Além de não ter conseguido conter o avanço da criminalidade, foi criticado por não ter divulgado números da violência durante todo o ano passado.

Os dados só foram divulgados no último dia 29, após ordem do governador Antonio Anastasia (PSDB). Dois dias depois, o governador foi para a Itália e, ao reassumir ontem o governo mineiro, promoveu a mudança.

Oficialmente, o governo mineiro informou, em nota, que "o governador solicitou ao secretário, deputado Lafayette Andrada [PSDB], que retorne à Assembleia Legislativa, onde exercerá [a] liderança [do governo]".

A criminalidade em 2011 aumentou consideravelmente em relação a 2010, caso dos homicídios: 22% em BH, 19% na região metropolitana e 16,3% no Estado.

Na média dos crimes violentos --que incluem homicídios, estupro, roubo, extorsão mediante sequestro, sequestro e cárcere privado--, o crescimento em 2011 foi de 14,5% na Grande BH.

Entre as críticas feitas à área da segurança, estão a estagnação dos programas sociais em morros e aglomerados e as dificuldades de relacionamento entre as polícias Civil e Militar.

Em 2003, na gestão Aécio Neves [atualmente senador pelo PSDB], teve início o processo de integração das polícias. Especialistas afirmam, contudo, que o desaparelhamento da Polícia Civil contribuiu para que a relação entre as polícias deteriorasse.

Aécio, padrinho político de Anastasia, entrou em cena com a crise na segurança.

Ele retornaria ontem de Washington (EUA), onde foi pedir R$ 150 milhões no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para investimento em projetos sociais na área da segurança.

"É bom dizer que Minas continua sendo dos Estados que mais investem em segurança. Mas reconhecemos que tivemos problemas nesse último ano. Houve um agravamento sobretudo dos crimes violentos e dos homicídios e é preciso que tenhamos uma ação ainda mais organizada, mais orquestrada e com mais recursos", afirmou Aécio, nos EUA, por meio da sua assessoria.


PAULO PEIXOTO
 
Fonte: Jornal a Folha

domingo, 11 de março de 2012

Bushido

1. A busca de uma morte digna. O samurai deveria estar pronto para morrer a qualquer momento;

2. A preservação da honra pessoal, de seus ancestrais e de seu senhor;

3. Ao falhar ou manchar sua honra, dos ancestrais ou de seu senhor, o samurai teria de cometer o suicídio ritual, o seppuku;

4. O guerreiro deveria sempre carregar consigo o seu par de espadas. A espada era a sua alma;

5. Ser corajoso. Melhor morrer do que ser chamado de covarde;

6. Ser justo e benevolente com os mais fracos, mas exigir respeito;

7. Manter sua palavra a qualquer custo;

8. Dedicar-se às artes como forma de aperfeiçoamento;

9. Ter gratidão à família e às pessoas que o ajudaram;

10. Lealdade ao seu senhor e dedicação ao trabalho.

domingo, 4 de março de 2012

Reino Unido planeja privatização da polícia

Quem sabe essa não é a solução.



Diversos serviços prestados pela polícia poderão passar às mãos do setor privado em duas unidades estaduais do Reino Unido. Os governos dos condados de Surrey e West Midlands, respectivamente no Sudeste e no Centro-Oeste da Inglaterra, estudam contratar companhias privadas de segurança, que ficariam encarregadas de atividades como investigação de crimes, patrulha de bairros e detenção de suspeitos. A informação é do jornal britânico The Guardian, que qualifica o projeto como um "plano radical de privatização".

Entre as empresas interessadas no negócio está a G4S, uma das líderes mundiais do setor da segurança privada. O contrato teria uma duração prévia de sete anos e custaria 1,5 bilhões de libras (algo como R$ 4,1 bi), mas poderia ter os custos triplicados, dependendo do contingente privado disponibilizado. Os valores em muito ultrapassam um contrato de cooperação entre a mesma G4S e a polícia de Linconshire, no valor de 200 milhões de libras (R$ 548 mi).

Com isso, Surrey e West Midlands estariam concretizando as últimas diretrizes apontadas pela Secretária do Interior, Theresa May, que defende a transformação da segurança pública por meio de uma maior parceira público-privada. O projeto dos condados, segundo o Guardian "redesenharia completamente as fronteiras aceitáveis entre o público e o privado" e poderia se tornar o "principal veículo" para o remanejo da polícia na Inglaterra e no País de Gales.

"A combinação com o setor de negócios tem por objetivo transformar por completo o modo pelo qual a força (da polícia) atualmente faz negócios: melhorar o serviço provido ao público", defendeu um porta-voz da polícia de West Midlands. "Trazer o setor privado ao policiamento é um experimento perigoso com a segurança e o dinheiro dos pagadores de impostos", disse, em contrapartida, um porta-voz da Unison, a União dos Serviços Públicos do Reino Unido.


Fonte: Site Terra

Partidos disputam PAC do Entorno

Wilson Dias/ABr / Wilson Dias/ABr
 
Dilma, Marconi e Agnelo: propostas para a região do entorno do Distrito Federal vão desde anel viário e ferrovia à reforma de escolas e pavimentação de ruas.
 
 
 
No momento em que o Brasil se consagra como uma das estrelas da nova ordem econômica mundial, sua capital federal, patrimônio histórico da humanidade e joia da arquitetura modernista, enfrenta em sua extrema periferia um grave e cada vez maior problema social: altos índices de violência e desemprego, transporte público precário, ausência de equipamentos públicos de saúde e educação que supram a demanda.

Formado por 20 municípios goianos e 1 milhão de pessoas, o chamado entorno do Distrito Federal integra cada vez mais uma grande mancha urbana junto a Brasília que tende a ser, em alguns anos, a terceira maior metrópole do Brasil. Diante desse cenário, pela primeira vez o governo federal acena com um programa específico - um "PAC do Entorno" - estimado em R$ 6 bilhões.

Tudo para amenizar o grande contraste com o centro do Distrito Federal. Um estudo recente apontou que Brasília, apesar de ter a maior renda per capita do país, tem também a periferia com maior diferença de renda em relação ao seu núcleo. Para piorar, essa população sofre uma crise de identidade. Afinal, quem deve assisti-los: o Distrito Federal, Goiás, ou a União?

Ao enfrentarem-se por espólio de Roriz, Marconi Perillo e Agnelo Queiroz divergem sobre prioridades para região

A questão é que esses municípios são muito mais ligados a Brasília do que a Goiânia. Dos 159.378 habitantes do município de Águas Lindas de Goiás, situado a 51 km do centro da capital, por exemplo, calcula-se que cerca de 90 mil - mais da metade deles - se deslocam todos os dias para trabalhar ou procurar de empregos de baixa renda na capital federal. Além disso, a cada dia desembarcam na cidade migrantes de todos os locais para ali se fixar e seguir a mesma rotina.

"Temos conhecimento quase nenhum de Goiás. Tudo aqui gira em torno de Brasília. Os jornais e rádios são de lá. A avenida principal é a JK. O principal bairro é o Jardim Brasília. Quem chega para morar aqui está pensando em Brasília", diz o prefeito de Águas Lindas, Geraldo Messias (PP).

O que se passa ali não é um fenômeno isolado. Trata-se da síntese desse grupo de cidades, em especial as fundadas nos anos 1980 e 1990 já em decorrência da forte migração. De olho na oferta de empregos braçais proporcionada pelo surto imobiliário e de renda no Distrito Federal, essas pessoas se aglomeram nos seus arredores.

Os efeitos para os dois lados da divisa são perversos. Os congestionamentos nessas rotas nas horas de pico são imensos, com as estimadas 300 mil pessoas que se deslocam diariamente para Brasília. As pessoas também buscam melhores atendimentos na rede pública de saúde e educação do Distrito Federal, incapaz de receber esse excedente. E, como não há emprego para todos, a criminalidade aumentou. As taxas de homicídio, latrocínio e estupro chegam ao triplo da média nacional.

Os governadores dos partidos arquirrivais em âmbito nacional, Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, avaliaram que o problema era de dinheiro e foram ao Palácio do Planalto pedir à presidente Dilma Rousseff recursos para a região. Ela pediu aos dois que elaborassem um plano de ação conjunto na região, nos moldes do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Não falou em valores, mas a previsão é de R$ 6 bilhões.

  

O que deveria ser um bom sinal do Palácio do Planalto acabou se tornando, contudo, o deflagrador de divergências entre os dois Estados e das disputas eleitorais entre quatro dos mais importantes partidos do país: PT, PSDB, PSB e PMDB. Incensados com a inédita conjunção de poder no Palácio do Planalto e no Palácio dos Buritis, os petistas viram no PAC a chance de capitalizar eleitoralmente em uma região em que sempre tiveram dificuldades em âmbito municipal e estadual.

Até se tornar uma das principais rotas migratórias do país nos anos 1990, quem reinou no entorno foi Joaquim Roriz. Natural de Luziânia, a principal cidade da região, foi vice-governador de Goiás em 1987 e depois governador biônico do Distrito Federal nomeado pelo então presidente José Sarney (PMDB). Após a autonomia política do Distrito Federal, foi governador eleito por três vezes, ocasiões em que ficou conhecido por promover transferências de títulos eleitorais de moradores do entorno para que votassem nele em Brasília. Antipetista declarado, em todos esses movimentos sufocou qualquer possibilidade de afloramento do PT.

Mas foi com a chegada de Marconi Perillo ao governo de Goiás em 1998 que o entorno elegeu o seu cacique. Atento ao crescimento ano a ano de eleitores na região, fez notar pela primeira vez que havia um governo do Estado para esses municípios. Sua principal arma foi o programa de distribuição de renda que criou, o Renda Cidadã. Também incentivou filiações ao seu partido e formou novas lideranças tucanas tanto nos antigos municípios surgidos ali no início do século XVIII em decorrência do ciclo econômico do ouro, como Formosa e Luziânia, como nos novos que iam se emancipando a partir de suas periferias. Eram oito municípios até 1960. Nos 20 anos seguintes vieram mais dois. Nos anos 1980, mais três. E entre 1990 e 1995, outros nove.

"Enquanto o PSDB identificou no entorno um grande filé solto de lideranças, nós não percebemos isso. Agora finalmente conseguimos convencer o PT nacional de que aqui é um dos principais veios da política nacional. As grandes forças políticas detectaram esse nicho. Quantos locais no país juntam milhões de eleitores como aqui? O PAC ajuda substancialmente nessa estratégia", afirma Arquicelso Bites, assessor especial da Secretaria de Estado do entorno do Distrito Federal.

Candidato petista derrotado em eleições majoritárias anteriores, ele é um dos responsáveis por elaborar um relatório a pedido do governador Agnelo Queiroz sobre o cenário eleitoral no entorno. A estratégia é levar a aliança com o PMDB ao maior número possível de lugares. Também opina sobre os programas do "PAC do Entorno", apesar de todas as funções do programa estarem centralizadas na Secretaria de Governo, comandada por Paulo Tadeu (PT).

Foi essa centralização com petistas que causou desconforto ao PMDB do vice-governador Tadeu Filippelli. Coordenador do PAC nacional na cidade e de todo o setor de obras, serviços e transportes, ele nem sequer foi consultado sobre eventuais projetos. Isso fez com que o empenho em caminhar junto com o aliado não causasse tanto entusiasmo nos pemedebistas como nos petistas. A ordem é compor onde for possível, "respeitando as particularidades locais".

À revelia do principal aliado, o texto elaborado pelo Palácio dos Buritis para ser apresentado a Dilma tem como principais projetos a construção de um anel viário passando por Formosa, Unaí, Cristalina, Luziânia, Alexânia; de um aeroporto de cargas em Planaltina; de um trem de passageiros entre Luziânia e Brasília; de Unidades de Pronto Atendimento de Saúde; e acordos de cooperação técnica com o Ministério da Justiça e o governo de Goiás na área de segurança pública.

Entretanto, setores do próprio PT contestam essas prioridades. Avaliam que o mais necessário é fazer uma ligação do entorno com a ferrovia Norte-Sul e com um gasoduto que passaria pelo Triângulo Mineiro. Com capacidade de escoamento e energia disponíveis, a região poderia atrair indústrias e, desse modo, gerar emprego para a população excedente.

"Todas as regiões metropolitanas do país implantaram um parque industrial nos arredores. Não dá mais para tratar aqueles municípios como uma área separada. Hoje tudo integra a região metropolitana de Brasília", diz Júlio Miragaya, coordenador do programa de governo na área econômica de Agnelo e atual diretor de gestão de informações da Companhia de Planejamento do Distrito Federal. O problema, contudo, é que lobbies do transporte coletivo e das distribuidoras de energia se opõem a esse modelo e tem atuado para que eles não entrem nas propostas.

Sem envolver valores, o esboço desenhado pelo governo do DF tem 41 páginas e difere substancialmente do texto produzido pelo braço-direito de Perillo, o secretário de Planejamento de Goiás, Giuseppe Vecci. Com mais de 200 páginas, ele apresenta grandes projetos como a ferrovia de Luziânia e o anel viário, mas não se esquiva de solicitar a realização de dezenas de pequenas obras, como pavimentação de ruas e reforma de escolas. Tal nível de detalhamento levantou críticas dos petistas de Brasília, que veem no relatório a intenção do tucano de apenas querer satisfazer e manter seu reduto eleitoral.

"É bem abrangente mesmo. Não é um levantamento emergencial, é um levantamento de soluções. Calculamos quantos quilômetros de pavimentação cada município precisa, quantas escolas precisam ser reformadas", afirma Professora Edna (PSDB), secretária do entorno por Goiás, e candidata derrotada a deputada estadual nas eleições de 2010. Ela afirma que a falta de asfalto influencia sobremaneira na segurança dos municípios, uma vez que as viaturas policiais não conseguem chegar aos locais das ocorrências.

A segurança pública é o ponto de maior divergência entre os dois Estados. Goiás pediu um aumento no efetivo policial de 2 mil para 8 mil homens, o que gerou críticas pelo Distrito Federal. A razão: gastos com custeio não deveriam entrar no "PAC do Entorno", apenas investimentos.

O problema é que, para o comando da polícia goiana, a violência do entorno é um problema, no mínimo, a ser compartilhado com o Distrito Federal, já que o crescimento dessas cidades se dá pela existência de oferta de empregos em Brasília. O Tenente Coronel Giovanni Bonfim Jr., gerente policial militar do Gabinete de Segurança do entorno instalado por Perillo, afirma que ignorar essa relação é colocar em risco a população do Distrito federal.

"Criminoso não respeita fronteira nem divisa. Ele olha para os dois lados e principalmente para onde está o dinheiro", diz. Segundo ele, as taxas de criminalidade aos poucos avançam rumo ao Plano Piloto, região central e nobre de Brasília. Só que esses dados não são divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, que apresenta apenas dados gerais do DF, sem especificação por área. "Isso disfarça a criminalidade interna. A segurança do DF está tranquila enquanto ela aparentemente estiver no entorno".

Se nada for feito para conter a criminalidade - a taxa de homicídios, por exemplo, cresce 20% ao ano no entorno -, ele prevê prejuízos na Copa de 2014: "Dentro de dois anos, haverá uma Copa do Mundo e o turista correrá o risco de não poder conhecer a região de carro porque terá de atravessar o entorno". Alguns dados apresentados por ele servem de alerta. Há 5 mil mandados de prisão por homicídio, latrocínio e estupro aguardando cumprimento; 10 mil inquéritos policiais nunca investigados, sendo 3 mil só de homicídios; e 600 presos em regime semiaberto soltos nas ruas, dos quais 80% praticando crimes. Ele conclui: "Quem está cercado é o DF".

Os goianos querem que, se não prosperar no PAC, ao menos parte do Fundo Constitucional do Distrito Federal - repasse da União que neste ano deve ser de cerca de R$ 10 bilhões -, seja destinado à segurança da região. Novamente encontraram a rejeição do PT.

Mas a ideia encontra respaldo dentro da base de Agnelo. Na tribuna do Senado, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) propôs que um percentual por ano fosse destinado a uma espécie de fundo a ser gerido pelos municípios do entorno, Goiás e o Distrito Federal. O índice cresceria até chegar a 5% definitivos, todo ano.
Agnelo e seus partidários não gostaram. Consideraram-na eleitoreira à medida que o senador é tido como um dissidente em potencial que será o principal adversário do petismo nas eleições locais de 2014, dentro do projeto nacional de ocupação de espaços do PSB, idealizado pelo seu presidente nacional, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

Eleitoral ou não, Rollemberg adotou a bandeira e programa seminários neste semestre sobre o entorno no Senado. "O entorno é vítima de uma omissão histórica do Distrito Federal. Todos os governadores, sem exceção, viraram as costas para ele como se fosse um problema só de Goiás. É preciso perceber que os principais problemas do Distrito Federal, saúde, segurança e transporte, decorrem de problemas no entorno ", diz. Após as críticas, ele alterou a sua proposta. Considera que o fundo deve se manter intacto, mas que a mesma fórmula deve ser usada com os recursos do Orçamento do GDF.

O PSB também avança em outra frente. O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho (PSB), tirou do papel a Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) e para ela nomeou Marcelo Dourado, um dos principais técnicos do partido em Brasília. Seu primeiro ato foi instalar o Conselho Administrativo da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Coaride), órgão por lei responsável pela região. O segundo passo foi se antecipar à discussão do PAC e buscar recursos para implementar o trem de Luziânia a Brasília, além de outra linha de trem de Brasília a Goiânia. "Não vou ficar esperando sair alguma coisa. Quem tem competência legal para atuar na região é o Coaride e a Sudeco", afirma Dourado.


Caio Junqueira


Fonte: Valor Econômico

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Operação desarticula quadrilha que explora máquinas caça-níqueis

PF cumpre 82 mandatos judiciais no Estado a policiais militares, civis, rodoviários e a um servidor da Justiça estadual goiana



Foi deflagrada no início da manhã desta quarta-feira, 29, a Operação Monte Carlo, cujo objetivo é desarticular a organização que explora, há cerca de 17 anos, máquinas caça-níqueis em Goiás. Trata-se de uma ação em conjunto entre a Polícia Federal e o MPF-GO (Ministério Público Federal em Goiás), com apoio do Escritório de Inteligência da Receita Federal.

Ao todo, estão sendo cumpridos 82 mandatos judiciais, dos quais 37 são de busca e apreensão, 35 de prisão e dez ordens de condução coerciva em cinco estados, entre eles Goiás, Distrito Federal (DF) e Rio de Janeiro (RJ). São alvos da operação, além de pessoas relacionadas a exploração do jogo, servidores públicos, como policiais militares e civis. Até o momento, foram cumpridos 27 prisões temporárias, 10 ordens de condução coercitiva e buscas e apreensões.

Deste total, estão inclusos o empresário Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira - considerado um dos maiores operadores de bingo de Goiás; seis delegados da Polícia Civil de Goiás; dois delegados da PF de Goiânia; um capitão; um major; dois sargentos; três tenentes-coronéis; 18 soldados da PM goiana e quatro cabos. Também estão entre os servidores públicos envolvidos no esquema um policial rodoviário e um servidor da Justiça do Estado de Goiás. Eles recebiam propinas mensal e semanal para trabalharem para a organização criminosa. As identidades dos envolvidos ainda não foram divulgadas.

Segundo as investigações, iniciadas há 15 meses, existe uma forma de franquia para este tipo de crime, em que o chefe da quadrilha concedia licenças de exploração dos pontos para proprietários de galpões clandestinos sediados em Goiânia e Valparaíso de Goiás. Nesse contexto, policiais civis e militares realizavam o serviço de fechar locais que não possuíssem a autorização do chefe da quadrilha. Na capital, o comando era liderado por Carlinhos Cachoeira, que devido ao seu forte poderio econômico, determinava a abertura e o fechamento de pontos em Goiânia. Carlinhos ficou conhecido nacionalmente após ter divulgado um vídeo sobre o escândalo Waldomiro Diniz, em que José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, é flagrado praticando extorsão.


Operação Monte Carlo

Conforme o delegado da PF Matheus Rodrigues, que coordenou a operação, os envolvidos nunca tiveram se quer uma ação contra eles, por contarem com a conivência de policiais militares, civis, rodoviários e federais. "Os policiais eram pagos para que os criminosos pudessem fazer a exploração sem intervenção”, disse. Rodrigues ressaltou que em 2006  foi realizada uma tentativa de desarticulação da quadrilha, porém a informação vazou.

De acordo com o delegado, há registros de propina de R$ 200 por dia paga a soldados, que também recebiam uma quantia para abastecerem as viaturas para fazerem a ronda. Já delegados da PC recebiam cerca de R$ 4 mil mensal.

Presos e indiciados responderão, na medida do envolvimento confirmado de cada um, por lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo profissional, evasão de divisas e contravenção penal de exploração de jogo de azar.

A escolha da denominação Monte Carlo para esta operação diz respeito a 11 bairros do principado de Mônaco, devido ao grande número de cassinos da região.


Ketllyn Fernandes

Fonte: Jornal Opção

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Reforma da polícia no Brasil: modelo britânico ou americano?

Laranjas cortadas não param em pé
 
 

As recentes greves e mobilizações de policiais em vários Estados são um reflexo tardio de uma crise profunda que ultrapassa em muito as reivindicações salariais. Para se compreender a natureza dos fenômenos em curso, é preciso, primeiramente, observar que as duas polícias que atuam nos Estados (Civil e Militar) possuem suas origens respectivas em “campos” (no sentido de Bourdieu) determinados – que não representam especificamente os desafios da segurança pública: as Polícias Civis emergiram do campo do Direito, e as Polícias Militares, do campo da Defesa. Suas origens remontam à criação, em 1808, da Intendência Geral de Polícia da Corte e, um ano após, da Guarda Real da Polícia da Corte, por Dom João VI.

Essas estruturas, é oportuno lembrar, não surgiram para o enfrentamento das dinâmicas criminais ou para a garantia dos direitos da cidadania, mas – como ocorreu também na grande maioria dos Estados modernos – para atender à necessidade de contenção de distúrbios sociais antes enfrentados diretamente pelas Forças Armadas. Por conta desse pertencimento original, as instituições policiais foram “mimetizando” os campos da Defesa e da Justiça. Assim, durante muito tempo, as polícias estaduais atuaram como se exércitos fossem. A Força Pública de São Paulo contou com artilharia aérea e esteve envolvida em conflitos em vários Estados. Em 1905, essa polícia contratou a Missão Francesa, recebendo dela instrução militar, 12 anos antes do Exército. Em 1932, travou guerra contra o Exército, disputa que Getúlio Vargas só venceu por contar com o apoio da polícia mineira. Isso estimulou a Constituição de 1934 a declarar as forças públicas estaduais como “forças auxiliares e de reserva do Exército”, disposição que permanece até hoje.

De outra parte, as polícias civis transformam-se em “filtros” do Poder Judiciário, selecionando os fatos que mereceriam apreciação dos magistrados. De novo, a força mimética, com o inquérito policial operando como um “pré-processo” penal, em que se forma a culpa sem as garantias do contraditório e da ampla defesa – em desrespeito, portanto, à ordem igualitária que segue sendo declarada pela lei, mas violada pelo modelo. O inquérito policial, assinale-se, é outra característica do nosso modelo que se afasta da experiência internacional e que é, sabidamente, contraproducente.

Praças das PMs identificam no espelhamento de sua corporação com as Forças Armadas um dos problemas mais sérios da instituição. A maioria deles, inclusive, desejaria uma polícia desmilitarizada. Já a maioria dos oficiais preza o reflexo e atribui destacada importância às noções de disciplina e hierarquia típicas do Exército. De outra parte, os integrantes das carreiras iniciais das PCs não se identificam como “operadores do Direito”; o que demarca uma diferença plena de repercussões com a autoimagem dos delegados, bacharéis em Direito, que lutam pela equiparação funcional com as chamadas “carreiras jurídicas”.

Importa perceber, então, que – em contraste com as nações modernas – os esforços pela “policialização” das polícias (conforme a expressão de Karnikowski) e pela formação de um “campo da segurança pública” ainda não foram concluídos no Brasil. Como assinala Mateus Afonso Medeiros, “está incompleta a conquista democrática da separação institucional Polícia-Justiça e Polícia-Exército”.

O que há de mais notável no modelo de polícia construído no Brasil, entretanto, deriva da opção pela repartição do ciclo de policiamento. A instituição policial moderna em todo o mundo desempenha suas funções a partir do que se denomina “Ciclo Completo de Policiamento”; em outras palavras: as polícias modernas são instituições profissionais cujo mandato envolve as tarefas de 1) manutenção da paz pública, 2) garantia dos direitos elementares da cidadania, 3) prevenção do crime e 4) apuração das responsabilidades penais. Mas, no Brasil, se entendeu que uma das polícias – a Militar – seria encarregada da “prevenção”, pela presença ostensiva do patrulhamento fardado e outra – a Civil – seria encarregada da investigação criminal. Assim, a especialização entre patrulheiros e investigadores, em todo o mundo feita dentro das polícias, foi aqui dividida entre duas instituições com culturas e estruturas completamente distintas. O resultado é que nunca tivemos duas polícias nos Estados, mas duas “metades de polícia”, cada uma responsável por metade do ciclo de policiamento.

A bipartição do ciclo impede que os policiais encarregados da investigação tenham acesso às informações coletadas pelos patrulheiros. Sem profissionais no policiamento ostensivo, as Polícias Civis não podem contar com um competente sistema de coleta de informações. Não por outra razão, recorrem com tanta frequência aos “informantes” – quase sempre pessoas que mantêm ligações com o mundo do crime, condição que empresta à investigação limitações estruturais e, com frequência, dilemas éticos de difícil solução. As Polícias Militares, por seu turno, impedidas de apurar responsabilidades criminais, não conseguem atuar efetivamente na prevenção, vez que a ostensividade – ao contrário do que imagina o senso comum – não previne a ocorrência do crime, mas o desloca (potenciais infratores não costumam praticar delitos na presença de policiais; mas não mudam de ideia, mudam de local).

Patrulhamento e investigação são, na verdade, faces de um mesmo trabalho que deve integrar as fases do planejamento da ação policial, desde o diagnóstico das tendências criminais até a formulação de planos de ação, monitoramento e avaliação de resultados. No Brasil, isso se tornou inviável. Mas, como laranjas cortadas ao meio não permanecem em pé, as polícias intuem que precisam do ciclo completo (da outra metade). Por isso, historicamente, ambas procuram incorporar as “prerrogativas de função” que lhes faltam, o que tem estimulado a conhecida e disfuncional hostilidade entre elas, traduzida pela ausência de colaboração e, não raro, por iniciativas de boicote. Não satisfeito com a bipartição do ciclo, nosso modelo de polícia – também de forma inédita – ainda estabeleceu diferentes “portas de entrada” para cada polícia, o que gerou novo “corte” – agora horizontal – dentro das corporações: nas PMs temos duas partes, oficiais e não oficiais, e nas PCs, delegados e não delegados. Entre estas “partes” de polícia há um abismo de prestígio, poder, formação e remuneração que é, cada vez mais, insuportável. A ausência de carreira única em cada polícia, com efeito, inviabiliza a instituição policial brasileira, porque reafirma a desigualdade, estimula o autoritarismo e consagra privilégios; promovendo, muito compreensivelmente, uma “guerra” não declarada dentro das corporações. Também por isto, nossas polícias não conseguem completar seus efetivos e parcelas expressivas de policiais apenas aguardam oportunidade para deixar suas instituições. O problema da evasão, é claro, vincula-se também aos baixos salários. Esta realidade, por sua vez, agencia outras distorções, entre elas o “bico” e a formatação de jornadas absolutamente irracionais para a lógica do serviço público, mas funcionais para a prevalência do segundo emprego. Assim, por exemplo, jornadas de 24 por 72 horas (ou seja: plantões de 24h seguidos por três dias de folga) tornaram-se comuns nas polícias civis no Brasil, oferecendo exemplo de como se impedir que uma instituição funcione minimamente.

Policiais com um segundo emprego, entretanto, assumem vários riscos. Um estudo de Maria Cecília de Souza Minayo e Edinilsa Ramos Souza revelou que, dos 4.518 policiais mortos e feridos por todas as causas, de 2000 a 2004, no Estado do RJ, 56,1% foram vitimados durante as folgas. O “bico”, entretanto, é só a ponta de um iceberg de distorções que tendem a se avolumar e cujo desfecho aponta para a formação das milícias – de longe o mais sério problema de segurança pública em alguns Estados, com destaque para o Rio.

Mas a violência sofrida pelos policiais não lhes ameaça apenas desde o “exterior”. O amplo estudo que realizamos com Silvia Ramos e Luiz Eduardo Soares (disponível em http://bit.ly/x4PWnf) chamou atenção para o fato de que parte expressiva da violência sofrida pelos profissionais da segurança pública ocorre no interior das suas corporações. Assim, por exemplo, 20% dos policiais brasileiros são vítimas de tortura em seus processos de “formação”; 53,9% deles já foram humilhados pelos superiores hierárquicos e mais de um quarto dos policiais entende que sua corporação já lhes negou ou cerceou o direito de defesa. Além disso, 61,1% deles afirmaram já terem sofrido tratamentos discriminatórios pelo fato de serem policiais civis ou militares, bombeiros, guardas municipais ou agentes penitenciários e pelo menos 16% das mulheres que atuam nestas instituições já foram vítimas de assédio sexual em suas corporações.

Desrespeitados como cidadãos, obrigados a um cotidiano embrutecedor e sem qualquer apoio psicossocial, desvalorizados profissionalmente, desestimulados ao estudo e à reflexão e, não raro, “adestrados” pelo autoritarismo, estes policiais irão para as ruas nas piores condições, tendendo a reproduzir a mesma desconsideração em suas relações com o público, destacadamente quando tratarem com pobres e marginalizados. O círculo de estupidez e ineficiência, então, se completa com os resultados conhecidos.

No passado, alguns dos críticos do modelo levantaram a bandeira da unificação das polícias. Uma sugestão plena de boas intenções, mas completamente equivocada. Múltiplas estruturas de policiamento conformam uma das características mais importantes dos modelos contemporâneos de segurança pública na grande maioria dos países democráticos. Inglaterra e País de Gales possuem 43 forças policiais autônomas; a Noruega possui 54 polícias distritais; a Escócia, oito polícias regionais; os Estados Unidos possuem pelo menos 25 mil polícias autônomas; a Bélgica, 2.359; o Canadá tem 450 polícias municipais, além de várias forças provinciais e da Royal Canadian Mounted Police. Poucas nações possuem polícia única (Sri Lanka, Cingapura, Polônia, Irlanda e Israel). Polícias menores são mais facilmente administradas e avaliadas. São também mais ágeis e tendem à especialização. Instituições policiais enormes, pelo contrário, são de difícil manejo e supervisão. Também por isso, eventual unificação das polícias no Brasil tenderia a somar os defeitos das instituições que temos, subtraindo suas virtudes. Por fim, a unificação agregaria risco considerável à democracia, incluindo a possibilidade de “emparedamento” do Estado por demandas corporativas.

O caminho da reforma, pelo contrário, deve estimular o surgimento de novas instituições policiais, além de integral autonomia aos Bombeiros e às perícias; tendência que – apesar dos limites constitucionais – já se impõe no Brasil, que formou uma Guarda Nacional e cujos municípios têm constituído Agências de Fiscalização de Trânsito e Guardas Municipais (que, embora sem este nome, polícias são). O fundamental é que todas elas tenham o ciclo completo de policiamento (o que no Brasil só a Polícia Federal possui) e carreiras únicas (uma única porta de entrada em cada polícia) como no resto do mundo. Esta é a base para que possamos ter polícias eficazes e para que as noções de segurança sejam fundadas em evidências científicas e não na cultura institucional do atraso e do preconceito. Este é também o caminho para que tenhamos polícias comunitárias acostumadas ao controle social e aos processos de prestação de contas e responsabilização pública (accountability).

Para que a existência de várias polícias com ciclo completo não seja redundante e não implique novas disputas, deve-se optar por um dos seguintes caminhos: ou se estabelece uma base distrital para cada polícia (modelo britânico) ou definimos responsabilidades distintas para as polícias de acordo com tipos criminais (o que caracteriza, em grande parte, a experiência americana). Tendo presente a história centenária das polícias militares e civis no Brasil, seria de todo desaconselhável que elas fossem reorganizadas para atuar a partir de bases distritais exclusivas. O mais adequado seria a divisão de vocações por tipos penais. Assim, por exemplo, as Polícias Civis poderiam tratar de crimes contra a vida, sequestros, crimes sexuais, tráfico de drogas e crimes do “colarinho branco”, enquanto as Polícias Militares poderiam cuidar dos delitos patrimoniais (furtos e roubos) e da manutenção da paz pública. Em um sistema do tipo, as Guardas Municipais poderiam responder aos conflitos de “baixa densidade” como arruaça, vandalismo, disputas entre vizinhos, importunação ao sossego, violência doméstica etc. Uma divisão do tipo tornaria possível que tivéssemos um sistema de segurança pública no Brasil, encerrando a pré-história das polícias brasileiras.

Reformas desta natureza exigem, por óbvio, um amplo esforço político, vez que nosso modelo de polícia foi, inacreditavelmente, inserido na Constituição Federal, notadamente em seu art. 144. Tendo em conta a destacada inaptidão do Congresso Nacional para reformar o que quer que seja e o notório desinteresse do governo federal sobre este tema, deve-se reconhecer que as perspectivas não são alentadoras. Os governadores poderiam constituir esta agenda. Afinal, é nos Estados que a crise se instala e – observados princípios gerais – se deveria permitir margem de autonomia aos entes da federação para que pudessem reformar e/ou instituir suas próprias polícias. Seja como for, nunca a crise do modelo de polícia no Brasil foi tão evidente. O que não nos garante qualquer solução. Afinal, convivemos com uma realidade política na qual tem sido preferível não pensar, não discutir e não fazer. Só por isso, as greves e protestos dos policiais têm um sentido histórico. Em seus acertos e em seus erros, as mobilizações introduziram um dado novo: os policiais exigem mudanças. Resta saber se alguém saberá interpretar este sentimento.

Marcos Rolim é Professor da cátedra de Direitos Humanos do IPA, autor de “A Síndrome da Rainha Vermelha” (Zahar/Oxford University, 2006) Fonte: Zero Hora.

Fonte: Blog Saga Policial