segunda-feira, 24 de setembro de 2012

GRADUAÇÕES E POSTOS DO EXÉRCITO


Etimologia das graduações


Soldado: Deriva de sal, moeda corrente nas legiões romanas e de onde tem origem as palavras saldado, salário, soldo, soldado ou pessoa que é paga com sal. Consta que os legionários romanos recebiam o salário em sal.

Anspeçada: Tem origem no italiano, lancia spezzata (lança quebrada). Referia-se ao soldado transferido da arma montada para a arma a pé e que ali passava a possuir status superior ao soldado a pé. Existiu entre nós de 1500 a 1904. Os nossos anspeçadas eram dispensados da faxina. Só concorriam à escala de sentinela do portão das Armas e substituíam o cabo.

Cabo: Tem origem no latim “caput”, com o sentido de cabeça, chefe. Existe entre nós desde 1500 com o título de cabo de Esquadra, até reduzir-se a cabo, na República. Os grandes generais que se destacaram na História Militar tem sido chamados ou de cabos de guerra ou de grandes capitães da História Universal. Assim, Napoleão era chamado carinhosamente por seus soldados de “petit caporal” ou pequeno cabo.

Furriel: Tem origem no francês “fourrier”, de forragem (fourrage). Era o encarregado tradicionalmente do forrageamento dos eqüinos. Ela existiu até há pouco tempo entre nós, sendo substituída pela de 3º sargento, passando a graduação furriel a designar uma função militar.

Sargento: Deriva do latim “servientes”, com o sentido de auxiliar, tendo originado os serventes de campo, de armas, de escudeiros e de cavaleiros. Esta graduação existe entre nós desde 1500 e, com a eliminação da de furriel, nas de 3º, 2º e 1º sargentos. Ficou célebre nesta graduação o sargento Wolf, herói da FEB. Sargento-ajudante era o mais antigo dos sargentos.

Cadete: Deriva do baixo latim capitettus, diminutivo de caput. Literalmente seria um pequeno chefe ou cabeça. Existiu entre nós, com foros de nobreza ou privilégio de nascimento, de 1757 a 1897. Foi restabelecido em 1931 para designar a graduação privativa dos alunos da Escola Militar e, desde 1945, da Academia Militar das Agulhas Negras, sempre com o sentido de companheiro ou de irmão mais moço dos oficiais, e com arma privativa - o espadim.
    

Etimologia dos postos


Alferes: Deriva do latim “aquila-feres”, ou o porta-águia, que era o estandarte distintivo das legiões romanas. O termo passou aos árabes como “alfaris-porta-estandarte”, de onde teria passado a Portugal e de lá ao Brasil. Ela existiu no Brasil até 1905, quando deu lugar à denominação “Aspirante-a-oficial”, que veio no bojo do Regulamento de Ensino de 1905. Com ele também foi extinta a graduação ou posto de alferes-aluno, criada em 1840 na Escola Militar do Largo de São Francisco, como estímulo ao mérito intelectual, face ao título de cadete que traduzia mérito de nascimento. Tornou-se célebre o alferes José Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes, hoje elevado a Patrono Cívico da Nacionalidade ou do Brasil.

Tenente: Deriva do latim “tenens” - substituto de outrem e, no caso em tela, do capitão. Existe entre nós desde o Descobrimento. Tornou-se célebre entre nós o tenente Antônio João, patrono do Quadro Auxiliar do Exército.

Capitão: Deriva do latim, passando ao baixo latim, de caput a “capitanis”, o chefe ou o que comanda. Sempre existiu entre nós. Nele se imortalizaram Pedro Teixeira - o conquistador da Amazônia; frei Orlando - patrono do Serviço Religioso do Exército; Ricardo Kirk - o pioneiro e mártir brasileiro da aviação militar em operações de combate, herói do Contestado, e Tertuliano Potiguara – herói do Contestado e em San Quentin (França), na 1ª Guerra Mundial.

Major: Deriva de maior. Na Colônia, correspondeu ao posto de Sargento-Mór (Sargento-Maior), ou o auxiliar mais graduado do coronel e seu substituto. Se celebrizaram como sargentos maiores Antônio Dias Cardoso - atual patrono das Forças Especiais do Exército e Rafael Pinto Bandeira - conquistador da Fortaleza de Santa Tecla, em Bagé, e patrono do 8º Esqd C Mec, da 8ª Bda Inf Mtz, ambos mestres em guerrilhas contra o invasor, respectivamente no Nordeste e no Rio Grande do Sul. Na Alemanha, o sargento-maior correspondia a uma graduação de sargento. Conta-se que D. Pedro I ao organizar batalhões com mercenários europeus, colocou como sargento-maior ou subcomandante de batalhão, um mercenário alto, forte e imponente que havia sido sargento-maior (sargento) na Alemanha e lá havia sido açougueiro. Existiu no Exército, no Império, a função de Vago- Mestre, traduzida do alemão vagoon-meister (encarregado dos Transportes). E como Vago- Mestre ela figurava nos QOD.

Tenente Coronel: Tem o sentido de substituto do coronel. Ela surgiu no Império. Imortalizaram-se neste posto: José de Abreu - o anjo da Vitória nas guerras contra Artigas 1816-21; Francisco Pedro de Abreu, grande guerrilheiro gaúcho que auxiliou Caxias na Revolução Farroupilha; Vilagran Cabrita - patrono da Engenharia e Muniz de Aragão, da Veterinária.

Coronel: Deriva do italiano, com o sentido de “colonello” - o Comandante ou chefe de coluna. No Brasil Colônia, sob influência espanhola, correspondia ao mestre de campo de tradição romana. Magister militium, o comandante de tropa a pé e o magister equitum, o comandante de tropa a cavalo. O mestre de campo tinha o sentido de mestre dos campos ou dos acampamentos. Tornaram-se célebres nestes postos os restauradores de Pernambuco nas guerra holandesas: Antônio Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros, Henrique Dias e Felipe Camarão - os dois últimos, honorários. Como os coronéis se tornaram célebres na Guerra do Paraguai, Emílio Luiz Mallet, patrono da Artilharia e Tibúrcio, então herói militar e popular, por sua intrepidez.

General: Advém do latim generalis. É o chefe ou comandante-geral. No Brasil designa o ciclo de oficiais generais. Foi consagrado nesta designação na Guerra do Paraguai pelos soldados e pelo povo o general Osório, atual patrono da Arma de Cavalaria do Exército.

Brigadeiro: Origina-se da palavra celta e italiana “briga” (luta, combate). Este posto existiu até a República quando mudou de denominação para General-de-Brigada. Consagrou-se como brigadeiro Antônio de Sampaio - o patrono da Infantaria e Andrade Neves - o Vanguardeiro da Guerra do Paraguai, e como general de Brigada João Severiano da Fonseca - patrono do Serviço de Saúde.

Marechal de Campo: Posto que existiu na Colônia e no Império, mudando na República para General de Divisão. Tornou-se célebre como Marechal de Campo Manoel Deodoro da Fonseca - o proclamador da República, e como General de Divisão Mascarenhas de Moraes que comandou a FEB, na Itália.

Tenente General: Existiu na Colônia e no Império. Foi substituído na República pelo posto de General de Exército.


Cel Cláudio Moreira Bento


Fonte: www.militar.com.br

domingo, 23 de setembro de 2012

Inteligência do Exército protege Barbosa


Exclusivo




O Exército escalou seus mais confiáveis e melhores oficiais de inteligência, lotados na Abin, para dar proteção ao ministro Joaquim Barbosa – relator do processo do Mensalão no Supremo Tribunal Federal. Ao montar esquema especial para dar segurança a Barbosa – que sempre foi avesso a isto -, empregando seus homens lotados na Agência Brasileira de Inteligência, o EB atropelou o Palácio do Planalto e a cúpula da Polícia Federal ligada aos esquemas petralhas de poder.

Apenas como contraponto: os ministros Ricardo Lewandowski e José Dias Toffoli também contam com proteção intensa. Só que de agentes da Polícia Federal – e não da turma verde-oliva lotada na Abin. A proteção a Barbosa não é só física. Tudo que se fala dele e sobre ele, nos ambientes de poder, também é monitorado. Além disso, todo o sistema telefônico da residência e de seu gabinete no STF foi alterado e passa por uma constante ação de pente fino.

A iniciativa de proteger Barbosa tão intensamente gera uma crise. A Presidenta Dilma Rousseff, como Comandante-em-chefe das Forças Armadas, sequer foi consultada sobre a medida. A blindagem ao Barbosa foi decidida entre alguns integrantes do Alto Comando do Exército e o General José Elito, do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência.

Fonte: Blog Alerta Total

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Capitão PMESP envia carta a Deputados protestando contra mortes de policiais


Escrevo esta carta a V.Exa. no intuito de que ela não seja somente um desabafo, acredito que o Estado deva criar mecanismos para salvaguarda e tutela de autoridade policial, há que se mudar a pena, acrescendo-a no mínimo 2/3, para o indivíduo que cometer qualquer tipo de crime, seja ele,agressão, lesão corporal ou homicídio contra qualquer agente de segurança pública, sendo ainda que, no caso do homicídio o cometedor do ilícito ficaria sujeito ao cumprimento total da pena, sem progressão, em regime fechado e com os três primeiros anos em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Como disse nosso nobre e histórico escritor jurídico Marques de Becaria em sua obra : “dos delitos e das penas”, “…além da gravidade da pena o que coíbe o crime é a certeza de ser punido…”, hoje o marginal não possui nenhuma diferença de gravidade penal ao atentar contra o Estado, na pessoa do policial ou agente de segurança pública e tem quase que sempre a certeza de que não será punido, vivemos um caos!
A Polícia Militar do Estado de São Paulo vem fazendo o possível para combater estas mortes de policiais e todos os outros crimes que afligem diretamente a sociedade paulista.
Nosso comando tem procurado alertar os policiais quanto aos cuidados nos horários de folga, deslocamentos rotineiros e posturas seguras, temos orientado, treinado e usado nossos serviços de inteligência internos para identificar ações criminosas contra policiais e, por vezes, infelizmente identificar e prender os autores destes homicídios, MAS SERÁ QUE ISSO BASTA? Será que os senhores poderiam nos ajudar a não enterrarmos nossos policiais com o estômago embrulhado e com este sentimento de que poderíamos ter feito mais por eles e suas famílias e por nós mesmos.
Senhor, acho que o que peço em nome destes milhares de policiais, guardas municipais, agentes penitenciários, peritos, delegados e investigadores de polícia é muito pouco, lembrando que somos o escudo da Sociedade e se não formos entendidos assim, e este escudo se quebrar, quem os defenderá e as suas famílias e a minha família.
Gostaria ainda de deixar claro que esta carta será enviada a todas as associações de classes policiais militares do Brasil, não no intuito de cobrança, porque sei que me fiz entender e que tal postura não seria necessária, mas para que todos possam juntos rogar a Deus que nos ilumine e nos faça ter sabedoria para lutarmos nossa guerra unindo forças em prol de uma sociedade mais digna e justa.
Grato,
MAURICIO RAFAEL JERÔNIMO DE MELO

Capitão de Polícia Militar

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

País tem quase 5 seguranças privados para cada policial


O Brasil é o segundo país das Américas na proporção entre seguranças privados e policiais, dos 22 com dados disponíveis: são quase cinco agentes particulares para cada um do Estado, mais do que o dobro da média regional.



A informação está no Relatório sobre a Segurança Cidadã nas Américas em 2012, que deve ser lançado hoje pela Organização dos Estados Americanos, em Washington, e antecipado para a Folha.

Segundo o documento --que combina dados de governos federais, polícias, institutos de estatísticas e ministérios dos 34 países da região nos últimos dez anos--, o ranking de privatização do policiamento é liderado pela Guatemala, com 6,7 seguranças para cada policial.

O Brasil (cujo índice de homicídios por 100 mil habitantes, 21, é metade do guatemalteco) tem 4,9; em seguida vem o Chile, com três. Os EUA, conhecidos por empresas gigantescas no setor, têm 1,5 segurança para cada policial. A média regional é de 2,3.
Editoria de arte/Folhapress

"A política pública de segurança tem sido feita com uma polícia privada que não está nem sequer dentro da estrutura [estatal] das polícias", disse à Folha Luiz Coimbra, editor-chefe do relatório e coordenador do Observatório de Segurança Hemisférica.

"É importante que a polícia privada esteja coordenada, organizada e submetida às mesmas regras de compromisso com direitos humanos, treinamento policial e conhecimento de técnica que a polícia."

Para Coimbra, a privatização da segurança virou um "grande negócio", sobretudo em países da América Central, onde a estrutura do Estado é mais deficitária.

"Mas esses homens estão armados nas ruas, eles têm de ser reconhecidos como parte dos atores de segurança. Isso não pode ficar sob controle de empresas comerciais com regras soltas."

Segundo o relatório --que não trata de outros continentes--, a expansão da segurança particular é global, mas foi mais intensa nas Américas, sobretudo do Sul e Central.

No período anterior à crise econômica iniciada em 2008, diz a OEA, o setor cresceu a um ritmo anual de 8% a 9% no mundo --acima da economia global e atrás apenas da indústria automotiva-- e de 11% na América Latina.

O avanço acompanha também a expansão do crime organizado, que na última década diversificou as atividades e passou a competir com o Estado em algumas áreas.

No Brasil, onde em 2008 (último dado disponível) havia 1,67 milhão de seguranças particulares e 2.904 empresas registradas no setor, Coimbra aponta uma tentativa do governo de maior controle da atuação dessas forças privadas, embora os dados sobre sua atuação ainda sejam insuficientes.


LUCIANA COELHO

DE WASHINGTON



Fonte: Folha de São Paulo

sábado, 8 de setembro de 2012

Indústria brasileira desenvolve veículos aéreos não tripulados


O Departamento de Defesa dos EUA tem hoje 7.000 veículosaéreos não tripulados (vants, também chamados de "drones", zangões). Há dez anos, antes de Afeganistão e Iraque, não passavam de 50.






O Pentágono já admite que o número de pilotos de vants, que controlam os aparelhos a partir de bases americanas, deverá ultrapassar o de pilotos de seus aviões regulares.

Com as duas guerras em refluxo, a febre está passando à área civil. Em fevereiro, uma nova lei americana, festejada pelos fabricantes, liberou o uso rural e até urbano dos aparelhos, em segurança pública.

Chris Anderson, autor de "A Longa Cauda" (2006) e sócio-fundador de uma empresa de software para "drones", a 3D Robotics, calcula que todo mês levantam voo nos EUA mais de mil novos vants civis, já superando os militares.

O Brasil corre atrás, tanto em aparelhos militares como civis. Empresas vêm sendo formadas, inclusive diversas subsidiárias da Embraer, na expectativa do anúncio de um programa de vants do Ministério da Defesa.

PROJETO

Um primeiro projeto, até hoje "em aperfeiçoamento", acaba de completar cinco anos, desde que a empresa carioca Santos Lab, hoje parte da Embraer, forneceu os primeiros vants à Marinha.

Questionado, o ministério responde que a elaboração dos requisitos operacionais para a aquisição dos aparelhos "está em andamento" e que ainda não há detalhamento sobre quantidade ou prazo. Adianta que o Exército prevê empregar os vants no apoio à artilharia, entre outras missões; a Aeronáutica, no controle de fronteiras; e a Marinha, na defesa das plataformas nas bacias de Campos e de Santos.

Mas o objetivo expresso é estimular produção nacional e a inovação tecnológica. É a justificativa para o desenvolvimento de outros aparelhos e sistemas pelas Forças Armadas nos últimos anos, em conjunto com empresas do interior paulista como Flight e Avibrás e com fomento da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

VÁRIOS GRUPOS

A corrida pelas encomendas militares vislumbra, como nos EUA, o posterior uso civil. A Abimde (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança) formou um comitê para veículos não tripulados visando "consolidar e fazer crescer o setor não só para aplicações militares, mas comerciais", segundo o vice-presidente executivo, Carlos Afonso Perantoni Gambôa.

Segundo Gambôa, ainda não há no Brasil "nenhuma regulamentação de emprego comercial", mas a associação vem trabalhando em conjunto com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e o Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) para a construção de um marco regulatório para o segmento.

Nei Brasil, presidente da Flight, que nasceu na incubadora de start-ups do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), afirma que "vai ser difícil a indústria nacional se capacitar para ter um setor civil pujante se não for alavancada no primeiro momento pelo setor militar".

CONSOLIDAÇÃO

O executivo prevê que os vants "sejam uma das áreas mais aquecidas do setor aeronáutico". Daí o início "conturbado, com vários grupos tentando se posicionar". Ele prevê, com o tempo, uma forte consolidação.

Renato Bastos Tovar, gerente de programas tecnológicos da Avibrás, também prevê uma acomodação do mercado e diz que sua empresa "está aberta a conversas".

Por outro lado, Rodrigo Kuntz, presidente da BRVant, também do interior paulista, questiona o estágio do mercado no país. Segundo ele, o Hermes 450 e o Heron, dois aparelhos israelenses, "são os únicos equipamentos de maior porte voando no Brasil". A BRVant finaliza atualmente um projeto para desenvolver um aparelho maior, voltado para o nicho militar.

Também já produzem ou se preparam para produzir vants: OrbiSat, da Embraer, em conjunto com AGX e Aeroálcool; Harpia, de Brasília, parceria entre Embraer e Elbit, de Israel; Andrade Gutierrez Defesa e Segurança, do Rio, com francesa Thales; XMobots, de São Carlos; e Skydrones, de Porto Alegre.


NELSON DE SÁ



Fonte: Folha de São Paulo

terça-feira, 21 de agosto de 2012

FBI aliciou muçulmanos para forjar ataques terroristas dentro dos EUA

Departamento federal de investigação fornecia plano de ataque e material a jovens muçulmanos para encenar um falso desmantelamento de planos terroristas. Atualmente, o órgão responde a processo por parte de uma mesquita situada na Califórnia



Os anúncios do FBI (Departamento Federal de Investigação) sobre o desmantelamento de planos terroristas possui duas versões: a oficial, que serve para deslumbrar a imprensa; e a estarrecedora, como classificou o jornalista Tom Castello, do Bureau of Investigative Journalism. Conforme a reportagem, o próprio FBI infiltra agentes em comunidades islâmicas, incluindo as pacificas, para encorajar novos terroristas, entre os quais muitos são adolescentes. A formação terrorista fornecida pelo departamento inclui plano de ataque e até o fornecimento de material.

Castello teve acesso a essas informações por meio de um documentário de rádio, o “This American Life”, transmitido em mais de 500 estações nos EUA. O trabalho jornalístico foi produzido pela Chicago Public Media e conta a chocante história de tramas armadas pelo FBI.

Segundo o analista Glen Greenwald, consultado pelo jornalista do Bureau of Investigative Journalism e que participou da produção do documentário, esse tipo de ação do FBI se dá “repetidamente”. “Eles se infiltram em comunidades muçulmanas para achar recrutas, os convencem a realizar ataques, fornecem dinheiro, armas e o know-how para levar seu plano adiante – apenas para saltar heroicamente no último instante, prender os supostos agressores que o FBI havia criado, e salvar uma grata nação de uma trama orquestrada... pelo próprio FBI”, relata.

Operação frustrada

Um desses casos ocorreu em 2006, quando o departamento recrutou o islâmico Craig Monteilh, considerado na região um marginal de “quinta categoria”. Ele, pelos planos do FBI, deveria se infiltrar em uma mesquita em Orange County, na Califórnia, com a missão de atrair homens da mesquita para a sua academia. O objetivo do FBI era, por meio Monteilh, recrutar mais islâmicos para um ataque terrorista cujos discursos encorajadores tinham como base a jihad (palavra que em árabe corresponde a esforço) de Osama Bin Laden.

A referida missão, batizada de Operação Flexão, esbarrou em percalços um tanto inusitados para o FBI: os recrutas de Monteilh estavam mais interessados em jogar videogames do que na academia. Dois deles, Ayman e Yassir, começaram a andar com Monteilh, que usava o falso nome de Farouk para aliciá-los. Os jovens, contudo, começaram a estranhar a insistência de Monteilh, ou Farouk - como o conheciam, em falar de Osama Bin Laden sempre que uma oportunidade aparecia.

Para frustração de Monteilh e tranquilidade do FBI, Ayman e Yassir não demonstravam o menor interesse em tratar de terrorismo ou jihad e tão logo Monteilh abordou a possibilidade de ataques à bomba foi denunciado por eles. Como esperado, os jovens recorreram ao FBI, concluindo com êxito mais um plano de desmantelamento de ataques terroristas.

O FBI, diante das reportagens, se negou a comentar os fatos e atualmente está sendo processado por membros da mesquita em que os dois jovens foram aliciados por Monteilh. Neste contexto, Craig Monteilh encaixa-se como principal testemunha contra seus empregadores.

Operações concluídas

A atuação do FBI em relação aos mulçumanos não para por aí. Em 2011, a Associated Press ganhou o prêmio Pulitzer de reportagem investigativa depois de mostrar uma operação secreta do departamento que envolvia a espionagem maciça em Nova Iorque. O FBI monitorava comunidades muçulmanas naquela cidade sem que houvesse qualquer evidência de atividades terroristas.

Alguns supostos planos terroristas que tiveram grande repercussão: em 2009, Hosam Maher Husein Smadi arquitetou a destruição de um arranha-céu em Dallas e Faruque Ahmed esboçou um ataque ao metrô de Washington; em 2010, Mohamed Osman Mahamud planejou detonar uma bomba em um evento natalino lotado; e em 2011, Rezwan Ferdaus foi preso depois de planejar atacar o Pentágono com aviões de controle remoto cheios de explosivos.

*Com informações da Agência Pública

Ketllyn Fernandes
Fonte: Jornal Opção

sábado, 11 de agosto de 2012

Wikileaks revela imensa rede de espionagem doméstica nos EUA


Sistema TrapWire usa tecnologia de ponta para monitorar paradeiro de cidadãos suspeitos


LAS VEGAS - O mais recente vazamento de informações proveniente do WikiLeaks revela a existência de uma grandiosa rede de espionagem eletrônica nos Estados Unidos denominada TrapWire.

Segundo David Seaman, analista do “Business Insider”, a revelação é tão séria que o site do Wikileaks vem sofrendo ultimamente intensos ataques DDoS (negação distribuída de serviço, na tradução) cuja intenção é calar o site, estancando suas operações com uma carga de entre 10GB e 40GB de requisições falsas por segundo.
Curiosamente, as informações vieram à tona graças ao site estatal russo “RT”, nos seguintes termos: “Ex-altos funcionários da inteligência [dos EUA] criaram um sistema de vigilância detalhada mais preciso do que a tecnologia moderna de reconhecimento facial. Tal sistema já foi instalado pelos EUA afora, debaixo do nariz da maioria dos americanos, segundo e-mails hackeados pelo grupo Anonymous”.
O TrapWire controlaria câmeras instaladas em pontos de vigilância nas principais cidades e pontos turísticos em todos os EUA registrando dados digitalmente a cada segundo no local, criptografando-os e enviando-os instantaneamente para um datacenter fortificado situado em local não revelado, de modo que essas informações sejam mescladas com outros dados de inteligência.
Este esquema é parte do programa TrapWire, elaborado pela Abraxas, uma empresa americana situada no estado da Virginia do Norte, cujo plantel reúne a elite da comunidade de inteligência dos Estados Unidos, ex-fucionários do Pentágono, da CIA, da NSA e de outras agências.
“Os tentáculos da rede colaborativa envolvida, na verdade, devem ir muito mais profundamente do que o que está documentado”, diz Seaman. “Os detalhes sobre a Abraxas e sobre o TrapWire são escassos, mas não poderia ser de outra forma, já que se trataria de um programa para lutar contra o terrorismo e monitorar atividades de maneira secreta”.
Segundo o site “RT”, TrapWire se refere ao nome de uma empresa em Reston, Virginia, EUA, que desenvolveu um sistema “projetado para proporcionar um meio simples, mas poderoso, de coletar e gravar relatórios sobre atividades suspeitas”. Ou seja, é um sistema de nodos interconectados que detecta qualquer coisa considerada suspeita e encaminha essas informações para um outro sistema para posterior análise e comparação.
Mais detalhes e uma rica coleção de links contendo evidências podem ser vistos na página sobre o tema no site informativo russo, em <http://bit.ly/rt_trapwire>.

Fonte: O Globo

terça-feira, 7 de agosto de 2012

PF regulamentará vigilantes em estádios


ada no Hyde Park, em Londres
LUIZ ERNESTO MAGALHÃES / O GLOBORIO - O policiamento em estádios de futebol e arenas de shows passará por mudanças na carona dos megaeventos que acontecerão no Brasil nos próximos quatro anos. A segurança armada, comumente usada hoje e que, no Rio, é feita pela Polícia Militar, deixará de ficar visível ao público, sendo colocada de prontidão em locais estratégicos, para intervir somente em caso em conflitos. Em seu lugar, entrarão em ação os chamados stewards (vigilantes desarmados e treinados para lidar com multidões). A regulamentação da nova função deverá ser divulgada ainda este mês pela Polícia Federal. Ela disciplinará a atividade, indicando currículo mínimo de cursos para a fissão.
Normas preveem seguranças desarmados nas arenas, durante os grandes eventos até as Olimpíadas


O Brasil está na contramão do mundo, que emprega os stewards. A Fifa recomenda um stewards para cada 60 espectadores em jogos mais delicados e um profissional para cada cem espectadores, em eventos considerados mais calmos.A ideia é que já haja stewards atuando em estádios na Copa das Confederações, que será disputada no Brasil em 2013. A regulamentação vem sendo discutida há um ano entre a PF e a Fifa, com acompanhamento do Ministério da Justiça. O modelo já é empregado na Europa e nos Estados Unidos. O policiamento desarmado é possível porque antes de entrar nos complexos esportivos, os torcedores são revistados em busca de armas ou objetos contundentes. Consultada pela PF, a Associação Brasileira das Empresas de Vigilância (Abrevis) é favorável à nova formação profissional. Segundo o presidente da entidade, José Jacobson Neto, a medida não valeria apenas para megaeventos. Discute-se o tamanho mínimo do evento para contratar stewards: com mais de mil, dois mil ou três mil pessoas:
Copa de 2014 exigirá 84 mil stewards
O presidente da entidade estimou que, somente para a Copa das Confederações, seriam necessários 10 mil stewards; enquanto que para a Copa do Mundo de 2014 o número subiria para cerca de 80 mil. Ainda não há projeções para os Jogos Olímpicos.
Nos Jogos Olímpicos de Londres os stewards estão presentes nas arenas de competição, áreas públicas de transmissão dos jogos e até em estações do metrô. Mas a empresa contratada não conseguiu preencher 3.500 das vagas necessárias. A mão de obra foi substituída por policiais e militares, que apesar de uniformizados não portam armas. O diretor de Segurança dos Jogos no Rio, Luiz Fernando Corrêa, ex-diretor da PF, disse que o esquema será usado nos jogos no Rio:
— Os stewards funcionam muito bem como orientadores. No caminho para os estádios, ajudam a fazer o filtro de quem chega, conferindo ingressos, por exemplo. Eles, porém, não dispensam uso de polícia, que fica em pontos pré-escolhidos, longe das vistas do público.
Em nota, a Polícia Federal informou que a segurança privada será empregada nas áreas privativas dos estádios, hotéis e locais de treinamento. A legislação brasileira não permite a atuação da segurança privada em vias públicas, exceto no transporte de valores, escolta armada e segurança pessoal.
Fonte: O Globo

terça-feira, 31 de julho de 2012

Policial é atingido na cabeça em perseguição



Vídeo com imagens tensas, onde um policial, após uma perseguição, acaba se deparando com a reação do condutor do veículo em fuga, que atira e acaba acertando dois tiros: um na cabeça e outro no pulso do policial – que felizmente não morreu, já que mesmo atingido conseguiu pedir apoio pelo rádio. Instantes depois outros policiais conseguiram interceptar o criminoso, que foi morto em troca de tiros, ainda conseguindo atingir alguns deles. Imagens didática para quem realiza perseguições e/ou acompanhamentos em viaturas.

Autor:  - Tenente da Polícia Militar da Bahia, associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e graduando em Filosofia pela UEFS-BA. | Contato: abordagempolicial@gmail.com

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Políticas Inteligentes Reduzem o Crime na Austrália


Caminhos para a solução



Uma das virtudes do método comparativo é permitir ver o que funciona e o que não funciona nas políticas de segurança pública. Na Austrália, na área do Mitcham Council houve uma redução clara no número de crimes.

A principal diretriz foi concentrar os esforços preventivos e repressivos nos reincidentes. Essa diretriz se baseia no dado encontrado em muitos países e em suas subdivisões de que um pequeno número de pessoas é responsável por uma alta percentagem dos crimes. Deu certo mais uma vez, agora na Austrália.

Office of Crime Statistics and Research publicou  as estatísticas mais recentes que mostram uma queda no número total de crimes de 6.366 para 4.344 entre 2006 e 2010. Os crimes contra a propriedade caíram mais de um terço nesse quinquênio e os roubos de casas etc. baixaram de 771 em 2006 a 422 em 2010. As infracoes e crimes no trânsito caíram ainda mais, de 913 a 421.

O chefe de polícia informou que a queda na subdivisão chamada Sturt Local Service Area foi de quase dez por cento no ano passado.

Concentrar esforços na prevenção de crimes cometidos por reincidentes e na repressão dessas pessoas tem dado certo.


GLÁUCIO SOARES
IESP/UERJ

Fonte: Blog Conjuntura Criminal

sábado, 30 de junho de 2012

Aprovado em Goiás projeto que reestrutura carreira de delegado, reajusta subsídio e cria bônus de incentivo

E a PMGO?


Foi aprovado, pelo Plenário, em segunda e definitiva votação, projeto de lei que reestrutura a carreira dos delegados de polícia do Estado de Goiás, no que diz respeito à remuneração da categoria. A matéria promove alterações na Lei Orgânica da Polícia Civil e na Lei que dispõe sobre o subsídio da carreira dos delegados, além de criar bônus de incentivo. A proposta foi acatada pelos deputados na sessão ordinária desta quinta-feira, 28.

Protocolado na Assembleia como processo nº 2.416/12, o projeto abrange os seguintes pontos: criação do cargo de delegado de polícia substituto como nova classe inicial da carreira; alteração do tempo de promoção; fixação de novos quantitativos para as classes do cargo de delegado de polícia; enquadramento dos delegados de polícia ativos e inativos para a classe imediatamente superior, exclusivamente uma única vez; criação do cargo de delegado de polícia especial I; criação do bônus de resultados destinado a estimular os delegados de polícia ativos; reajuste dos valores dos subsídios dos delegados de polícia ativos, inativos e aos seus pensionistas em 10%, em janeiro de 2013, e mais 10%, em janeiro de 2014.
A proposta estipula ainda que o Bônus por Resultados será concedido mensalmente, após avaliações quadrimestrais, com valores entre 5% a 20%, por critérios de mérito. As regras serão definidas posteriormente pelo Chefe do Executivo. 

Fonte: Portal da AL-GO

sábado, 23 de junho de 2012

Ataques do PCC

A transferência de Roberto Soriano, o Betinho Tiriça, para o presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes (a 589 km de São Paulo), é uma das hipóteses investigadas pelos setores de inteligência das polícias Civil e Militar para explicar os ataques contra policiais militares.


Condenado por tráfico, Soriano é, segundo investigações, do "primeiro escalão do grupo criminoso PCC (Primeiro Comando da Capital).

Ele estava na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (a 620 km de SP), onde o governo paulista coloca todos os presos com influência no PCC.

Ele foi mandado para Bernardes depois de uma carta escrita por ele com ameaças contra PMs ser apreendida em sua cela.

Na carta, segundo membros das polícias Civil e Militar e da Promotoria, Soriano falava sobre atentados contra PMs, tráfico de drogas e sobre as mortes de seis membros do PCC em maio, durante uma operação da Rota.

Ataque contra a PM

Eduardo Anizelli/Folhapress
Carro que foi usado por criminosos para atacar uma base da Polícia Militar na Vila Campanela, zona leste de Sao Paulo Leia mais

ISOLADO
Em Presidente Bernardes vigora o RDD (Regime Disciplinar Diferenciado). O preso passa 23 horas por dia trancado e, quando sai para o banho de sol, não tem contato com outros detentos.

Por essa e outras restrições, inclusive não manter contato físico com visitantes, o presídio é considerado o mais rígido de São Paulo.

Até as três ondas de ataques do PCC contra as forças de segurança do Estado em 2006, o RDD operava com capacidade máxima. Atualmente, apenas 49 presos estão no lugar, que tem 160 vagas.

Outra evidência de que as mortes de cinco PMs, entre o dia 13 e ontem em São Paulo, são uma retaliação do PCC é um gravação telefônica feita dia 14 pelo Denarc (departamento de narcóticos).

Na gravação, integrantes da facção criminosa presos e outros em liberdade tratam da morte de policiais.

Editoria de Arte/Folhapress

ASSOCIAÇÃO

Diretor da Associação dos Policiais Militares de São Paulo, Dirceu Cardoso Gonçalves afirmou ontem que o Estado precisa dar uma resposta rápida e concreta sobre o que tem motivado as mortes dos policiais em São Paulo.

"Existe uma tensão muito grande neste momento no Estado. Assim como o jornalista tem a caneta como arma, o policial tem uma arma na mão o tempo todo. E isso, num clima de tensão, pode gerar erros", disse.

"Sem o governo esclarecer o que tem acontecido, o policial, pressionado e com receio de perder a vida, pode cometer excessos e matar criminosos e também inocentes", explicou.

Com os ataques contra PMs sem solução e com a suspeita de que eles sejam retaliação do PCC, de acordo com Gonçalves, a sociedade também incorpora o mesmo receio dos PMs.


ANDRÉ CARAMANTE

Fonte: Folha de São Paulo

domingo, 17 de junho de 2012

Bolsa Família reduz violência, aponta estudo da PUC-Rio


Programa foi responsável por 21% da queda da criminalidade em SP




A redução da desigualdade com o Bolsa Família está chegando aos números da violência. Levantamento inédito feito na cidade de São Paulo por pesquisadores da PUC-Rio mostra que a expansão do programa na cidade foi responsável pela queda de 21% da criminalidade lá, devido principalmente à diminuição da desigualdade, diz a pesquisa. É o primeiro estudo a mostrar esse efeito do programa na violência.
Em 2008, o Bolsa Família, que até ali atendia a famílias com adolescentes até 15 anos, passou a incluir famílias com jovens de 16 e 17 anos.
Feito pelos pesquisadores João Manoel Pinho de Mello, Laura Chioda e Rodrigo Soares para o Banco Mundial, o estudo comparou, de 2006 a 2009, o número de registros de ocorrência de vários crimes — roubos, assaltos, atos de vandalismo, crimes violentos (lesão corporal dolosa, estupro e homicídio), crimes ligados a drogas e contra menores —, nas áreas de cerca de 900 escolas públicas, antes e depois dessa expansão.
— Comparamos os índices de criminalidade antes e depois de 2008 nas áreas de escolas com ensino médio com maior e menor proporção de alunos beneficiários de 16 e 17 anos. Nas áreas das escolas com mais beneficiários de 16 e 17 anos, e que, logo, foi onde houve maior expansão do programa em 2008, houve queda maior. Pelos cálculos que fizemos, essa expansão do programa foi responsável por 21% do total da queda da criminalidade nesse período na cidade, que, segundo as estatísticas da polícia de São Paulo, foi de 63% para taxas de homicídio — explica João Manoel Pinho de Mello.
O motivo principal, dizem os autores, foi a queda da desigualdade causada pelo aumento da renda das famílias beneficiadas.
— Há muitas explicações de estudos que ligam queda da desigualdade à queda da violência: uma, mais sociológica, é que diminui a insatisfação social; outra, econômica, é que o ganho relativo com ações ilegais diminui — completa Rodrigo Soares.
Outra razão é que muda a interação social dos jovens ao terem de frequentar a escola e conviver mais com gente que estuda.

Alessandra Duarte e Sérgio Roxo

Fonte: O Globo

sábado, 16 de junho de 2012

Diadema reduz 90% dos homicídios após dez anos da lei de fechamento de bar

Receita



Dez anos depois de implementar a Lei 2.107/02, que ficou conhecida como Lei de Fechamento de Bares, a cidade de Diadema, na Grande São Paulo, registrou uma redução na taxa de homicídios de 90,74%. Apontada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das dez melhores políticas públicas de combate ao consumo de álcool, a lei, junto com outras políticas públicas, foi determinante para a diminuição no número de homicídios em Diadema. A cidade em 1999 tinha a maior taxa de assassinatos do estado de São Paulo – 102,8 mortes para cada 100 mil habitantes - e, em 2011, reduziu esse índice para 9,52 para cada 100 mil habitantes.

“A gente tinha um diagnóstico de que os homicídios ocorriam das 23h às 4h da manhã e que tinham uma intercorrência muito grande com episódios em bares. Fizemos um corte radical de fechar os bares. Mas não foi só isso, a lei estava dentro de um plano municipal. Intensificamos as políticas para adolescentes, para mulheres, as políticas de educação”, conta a secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Miki, que era secretária de Defesa Social de Diadema quando a lei foi implementada.

Regina explica que a legislação foi precedida de um amplo diagnóstico das causas dos homicídios na cidade e que a replicação da lei em outras cidades pode não produzir os mesmos resultados. “Temos de criar leis para cada situação. Diadema necessitava dessa lei, mas eu creio que outras cidades talvez não necessitem. Não posso dizer que uma lei nacional para fechar bares traria resultado”, diz.

Segundo a prefeitura, a maioria dos assassinatos na cidade, antes da aplicação da lei, ocorriam a partir de brigas, acertos de contas e por débito no tráfico de drogas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município tem 386 mil habitantes.

“O grande mérito da lei de Diadema foi a forma como ela foi construída e implementada. Foi feita a partir de um trabalho de discussão com a sociedade. Outro mérito é que ela foi de fato aplicada. A fiscalização foi e é constante”, diz Carolina Mattos Ricardo, coordenadora de Gestão da Segurança Pública do Instituto Sou da Paz .

Carolina diz que a lei não teria produzido sozinha resultados positivos. Ela destaca a implementação de outras políticas públicas que, em conjunto com a nova legislação, fez reduzir a taxa de homicídios. “Diadema foi uma das cidades onde mais se recolheu armas de fogo em 2004 e 2005. Não é só a lei sozinha, houve um investimento forte em melhoria da polícia, em práticas preventivas e outras ações”.

Entre as diversas políticas públicas de segurança implantadas na cidade estão a criação do Centro Integrado de Videomonitoramento, o Serviço de Mediação de Conflitos e três planos Municipais de Segurança, o último lançado em novembro de 2011, que tem como meta, para os próximos cinco anos, estabilizar a taxa de homicídios em um dígito por grupo de 100 mil habitantes.

A polícia utiliza de seis a 15 agentes e de três a oito fiscais da prefeitura para monitorar a aplicação da lei na cidade, que tem cerca de 30 quilômetros quadrados. Desde 2002, foram fechados 32 estabelecimentos que descumpriam a legislação e notificados cerca de 3 mil.

Fonte: Correio Braziliense

terça-feira, 12 de junho de 2012

Encontre sua Câmera Fotográfica roubada




Muito interessante o mecanismo desenvolvido por este site: se você perdeu ou teve uma câmera fotográfica roubada, basta digitar o serial da máquina no campo central da página e buscar por fotos que tenham sido postadas na internet oriundas do seu equipamento. Já pensou, encontrar o rosto do assaltante ou do receptador? Clique no banner para acessar o site.


Autor: - Tenente da Polícia Militar da Bahia, associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e graduando em Filosofia pela UEFS-BA. | Contato: abordagempolicial@gmail.com

sábado, 9 de junho de 2012

A Polícia Federal sobe nos tamancos e protesta


Rio de Janeiro




A Polícia Federal aproveitará a Rio+20 para fazer manifestações contra o governo Dilma. Com o slogan “A PF dá o sangue pelo Brasil”, delegados e agentes farão panfletagem no Galeão dia 18, auge da chegada de estrangeiros para a Conferência e, nos dias seguintes, percorrerão locais próximos ao evento criticando as condições de trabalho. Dia 20, quando Dilma chegará ao Rio, se concentrarão no Riocentro, onde funcionará seu gabinete.

Não haverá operação padrão durante a Rio+20, garante a PF. Mas os protestos serão a forma de expor as dificuldades que enfrenta. Por exemplo: o valor da diária dos que foram deslocados de outros estados para trabalhar na Conferência será de R$ 400. A presidente Dilma assinou decreto esta semana aumentando o valor, que era de R$ 200.
Sem hotel disponível a poucos dias do evento, policiais e agentes estão correndo para alugar apartamentos e dividir as despesas. Em reunião com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, policiais brincaram que, para engordar o orçamento, iriam abrir tendas na beira da praia.

Ilimar Franco, O Globo

Fonte: Blog do Noblat

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Operação Monte Carlo - MP abre procedimentos de investigação


Envolvimento de policiais e agentes públicos citados será apurado



O MP-GO (Ministério Público Estadual) abriu um inquérito civil público e nove procedimentos preparatórios de investigação em relação à Operação Monte Carlo. A promotora de Justiça Fabiana Lemes Zamalloa do Prado instaurou os procedimentos que irão investigar as suspeitas de atos de improbidade administrativa apuradas durante a operação e contra alguns dos denunciados na ação penal do Ministério Público Federal, que está atualmente na 11ª Vara da Justiça Federal.

O referido inquérito vai apurar as condutas dos 33 policiais civis e militares acusados de envolvimento com a chamada Máfia dos Caça-Níqueis, liderada por Carlos Cachoeira. A escolha do procedimento foi feita já que os elementos de prova contra eles são mais concretos, pois o MP teve acesso à investigação da Polícia Federal. A promotora pediu que o processo corra em sigilo, em razão de as provas estarem protegidas pelo sigilo legal. Os policiais acusados já respondem à ação penal na Justiça Federal e novas documentações também foram solicitadas às Polícias Civil e Militar, incluindo informações sobre procedimentos disciplinares envolvendo os acusados.

Também serão investigados: os delegados Aredes Correia Pires, Hylo Marques Pereira, José Luiz Martins de Araújo, Mercelo Zegaib Mauad, Niteu Chaves Júnior e Juracy José Pereira; o agente da Polícia Civil Tony Batista Santos Oliveira, e os policiais militares Massatoshi Sérgio Katayama, Uziel Nunes dos Reis, Francisco Miguel de Souza, Antônio Carlos da Silva, Deovandir Frazão de Morais, Josemar Café de Matos, Antônio Luiz Cruvinel, Antonil Ferreira dos Santos, João de Deus Teixeira Barbosa, Vanildo Coelho, Teodorico Mendes Souza Filho, Adão Alves Pereira, Ana Maria da Silva, André Pessanha de Aguiar, Edmar Francisco Dourado, Emerson Rodrigues dos Santos, Jorge Flores Cabral, Júlio César Guimarães Santos, Leonam Pereira Ribeiro dos Santos, Leonardo Jefferson Rocha Lima, Luís Fabiano Rodrigues da Silva, Luiz Cláudio de Souza, Marco Aurélio Barbosa da Costa, Milton Ferreira Biliu, Valdemir Rodrigues de Araújo e Witer Dantas da Costa.

Já os procedimentos preparatórios de investigação abrangem agentes públicos no âmbito de apuração do MP citados na Operação Monte Carlo. A promotora julgou necessário colher mais esclarecimentos sobre as suspeitas levantadas, como o compartilhamento das provas encaminhadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal), já que o material apurado parte de notícias divulgadas pela imprensa. Neste caso, serão investigados: Alexandre Baldy, secretário de Indústria e Comércio; Edemundo Dias, presidente da Agência Prisional; Edivaldo Cardoso, ex-presidente do Detran-GO; Eliane Gonçalves Pinheiro, ex-chefe de gabinete do governador Marconi Perillo; Gilberto Ferro, delegado do 8º Distrito Policial; João Furtado, secretário de Segurança Pública; Ronald Bicca, ex-procurador-geral do Estado; Thiago Peixoto, secretário de Educação, e policiais do 8º DP.

Além deles, dois membros do próprio MP: o procurador-geral de Justiça, Benedito Torres Neto, e o promotor de Justiça Alencar José Vital. O procurador, que é irmão do senador Demóstenes Torres, afirmou que todas as medidas jurídicas cabíveis estão sendo adotadas “sobre o que foi publicado deturpada ou indevidamente” a seu respeito.

Em detrimento da amplitude das investigações, Fabiana Zamalloa ainda determinou que cada promotoria se responsabilize pelas apurações já em andamento, delimitando os fatos apurados por ela, com auxílio da também promotora Marlene Nunes. Dessa forma, as apurações relativas aos contratos com a Delta seguirão na 57ª Promotoria de Justiça, assim como as acusações sobre vereadores de Goiânia e outra sobre a promoção de coroneis da PM; já na 50ª Promotoria seguem as investigações sobre o Parque Mutirama e os serviços prestados ao Detran. O procurador-geral em exercício, Pedro Tavares Filho, se responsabilizou pelas investigações sobre o governador Marconi Perillo.


Déborah Gouthier
Fonte: Jornal Opção

segunda-feira, 21 de maio de 2012

CPI reacende embate entre PF e MPF


MP X PC



A CPI do Cachoeira reacendeu uma batalha travada há anos nos bastidores entre procuradores e policiais no País. O motivo é a tramitação, em passo acelerado, da PEC 37, proposta de emenda constitucional que tira poderes do Ministério Público e dá exclusividade de investigações às Polícias Federal e Civil.

Hoje, o MP pode conduzir investigações e não aceita em nenhuma hipótese perder o controle hierárquico dos inquéritos.

Os dois lados radicalizaram nos ataques e o conflito já ameaça o resultado das investigações. A crise atingiu grau elevado nos últimos dias com declarações dos delegados das operações Vegas e Monte Carlo, que acusaram o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e sua mulher, Cláudia Sampaio, de "segurarem", em 2009, o primeiro inquérito com provas que ligavam o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) à quadrilha do contraventor Carlinhos Cachoeira.

"O MP fica com esse discurso totalitário, imperial, mas o fato é que mal realiza suas tarefas e não tem preparo técnico-científico para comandar investigações nem treinamento para enfrentar bandidos na rua", disse o delegado Marcos Leôncio Ribeiro, presidente da Associação Nacional dos Delegados Federais.

"O monopólio da investigação pela polícia afronta o estado de direito", rebateu o procurador Alexandre Camanho de Assis, presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República.


Vannildo Mendes, Estadão.com.br

sábado, 19 de maio de 2012

México: Terceiro general é preso por ligações com crime organizado


Advogado de general preso no México afirma que há irregularidades no processo



Braço-direito do presidente Felipe Calderón na guerra iniciada em 2006 contra o crime organizado, o Exército entrou na mira da Justiça mexicana. O governo abriu uma investigação contra três generais de alto comando do Exército numa mesma semana — dois deles já reformados em cargos de confiança.

Eles ficarão detidos por 40 dias, tempo que será usado para a apresentação de provas de supostas ligações dos militares com o narcotráfico. A terceira prisão, dois dias depois da detenção de dois generais mexicanos, despertou a indignação da opinião pública a um mês e meio das eleições presidenciais e reabriu a discussão sobre o uso das Forças Armadas no combate ao crime organizado.

A detenção que mais causou surpresa foi a do general reformado Tomás Ángeles Dauahare, que chegou a ocupar o cargo de vice-ministro da Defesa. Além dele, foram detidos o general Roberto Daw González, ainda na ativa, e, na quinta-feira, o general reformado Ricardo Escorcia Vargas.

Os três generais não são os primeiros militares investigados no país. No governo de Vicente Fox, foram processados os generais Francisco Quirós Hermosillo e Mario Arturo Acosta Chaparro. Anteriormente, no mandato de Ernesto Zedillo, o general Jesús Gutiérrez Rebollo, então responsável pelo programa antidrogas do governo, foi acusado e continua preso.


Elisa Martins, O Globo

Fonte: Blog do Noblat