sábado, 6 de agosto de 2011

OS NOVOS EFETIVOS DA PM DO RIO – A CAMINHO DO DESASTRE

Um aviso a PM do Estado de Goiás



Ao saber que os chineses empregaram 70 mil policiais para suas Olimpíadas o governador Sérgio Cabral determinou que a PM chegasse ao teto de 60.484 integrantes, através da lei 5.467 de 08 de junho de 2009 que ele sancionou. Somados aos efetivos de aproximadamente 10 mil da Polícia Civil, o Rio passaria a ter os 70 mil policiais “olímpicos” até 2016.

Essa falsa saída costuma ser recorrente na história das polícias: o detentor do cargo político ordena que policiais sejam contratados em grande quantidade em curto espaço de tempo para atender uma demanda política por mais segurança. Na polícia das sociedades modernas, cada vez mais complexas e exigentes, não há mais espaço para policiais de baixa qualidade, o que acaba ocorrendo sempre que há pressa na contratação e formação desses profissionais.

Em seu primeiro mandato o governador Cid Gomes do Ceará também cometeu esse grave erro político-estratégico, ao determinar a redução do período de formação dos soldados da PM de seis para três meses, com funestas conseqüências para seu já equivocado plano de segurança denominado “Patrulha dos Bairros” com viaturas de luxo (Toyota Hilux) e grande quantidade de PMs desfilando pela capital e arredores.

Existem alguns problemas na equação dos novos efetivos da PM carioca, hoje com cerca de 40 mil policiais. Primeiro, como formar bem 20 mil novos policiais, além de outros cinco mil que terão se aposentado nesse curtíssimo tempo de cinco anos? Não há condições para vencer esse desafio, sem comprometer seriamente o quadro de recursos policiais com integrantes de baixa qualidade. Prudentemente a PM paulista passou a formar seus policiais de base – soldados policiais – em dois anos numa academia com certificação ISO 9001.

Há um coeficiente que tem se mostrado o limite da prudência em recrutamento e preparação de policiais: 5% do efetivo total é aproximadamente o limite que uma estrutura policial consegue preparar por ano com a qualidade básica necessária. No caso do Rio de Janeiro essa referência seria de dois mil ou, chegando ao limite da imprudência, três mil novos policiais ao ano, consolidando-se o efetivo total em pelo menos oito ou nove anos (2019 ou 2020).

Com um policial para cada 228 habitantes, o Rio de Janeiro passaria a ter um dos maiores contingentes policiais do planeta (São Paulo tem um para cada 303; Inglaterra e Estados Unidos aproximadamente um para cada 400 habitantes).

A longa experiência de São Paulo na expansão de seus efetivos até alcançar os 100 mil integrantes atuais oferece parâmetros de análise que merecem ser considerados: supondo a demanda da PM carioca de 25 mil novos integrantes: seria necessário pelo menos o recrutamento de 200 mil candidatos com o perfil básico adequado (idade, altura, 2º grau completo, isenção de problemas com a lei etc); pelo menos 40 mil teriam que ser submetidos a exames médicos e psicológicos e uns 30 mil pesquisados em investigação social (juntos a familiares, vizinhos, empregos e escolas, bancos de dados criminais etc). A formação desse enorme contingente implicaria em apertar em cinco anos cerca de 6,5 milhões de horas de aula e o dispêndio de 10 milhões de projéteis para treinamento de tiro.

O Estado do Rio de Janeiro teria condições de fazer tudo isso com a qualidade mínima requerida? Não há a menor dúvida: nenhuma polícia teria essa condição.

Pela experiência paulista toda vez que esse teto foi rompido (no caso formando mais que os 5% do efetivo total) houve comprometimento de qualidade, com policiais dando todo tipo de trabalho de maus serviços a problemas éticos e criminais graves. Isso ocorrerá na PM do Rio, não como possibilidade, mas com certeza absoluta.

Não se podem formar policiais em granjas como está sendo planejado, inclusive com formação já sabidamente precaríssima em unidades operacionais de policiamento, inclusive do interior. Um psiquiatra norte-americano ao estudar o fenômeno da socialização organizacional do novo policial concluiu que a intensidade e profundidade da formação é fundamental para gerar padrões de comprometimento ético e social necessários à essa dificílima função pública.

Outro problema. Na formulação do plano de efetivos da nova lei a PM meteu os pés pelas mãos, estabelecendo privilégios no acesso profissional e fazendo uma vigorosa volta ao passado mais retrógrado criando cargos de oficiais especialistas numa profusão sem igual no mundo em organizações policiais ou militares.

Para dar suporte ao novo dimensionamento de efetivos (praticamente 50% maior que o atual) foram previstos 77 novos coronéis (são 60 em São Paulo, para aproximadamente 100 mil PM´s), 286 tenentes coronéis (243 em São Paulo), 736 majores (429 em São Paulo). Para capitães (1.048) e tenentes (2.194) os recursos são ligeiramente menores que São Paulo (1.264 e 2.409, respectivamente). Esses quadros de recursos deveriam ser preenchidos proporcionalmente até o preenchimento final dos efetivos em 2016 ou quando fosse possível (provavelmente 2019).

Mas esses quadros já foram preenchidos antecipadamente, sugando- se recursos preciosos da hierarquia inferior, justamente aquela que mais lida como o efetivo operacional. O verdadeiro festival de promoções chegou ao exagero inconseqüente, com a incrível promoção além da previsão de vagas: em março havia 103 coronéis para as 77 vagas existentes (existindo, portanto, 26 coronéis sem ter o que fazer) e 296 tenentes coronéis para as 286 vagas previstas, excedentes que utilizaram expedientes sujeitos a enquadramentos em improbidade administrativa (não se podem criar postos sem a devida previsão de vagas).

Curioso também o fato de estarem fixadas 8.506 vagas para graduados (subtenentes, 1º, 2º e 3º sargentos), mas existirem quase 12 mil graduados (em março de 2011 eram 11.357). A PM carioca tem o péssimo sistema de promover automaticamente o soldado a sargento, sem fazer concurso e seleção dos mais aptos para esse importantíssimo cargo de supervisão do policiamento. Ou seja, sem quadros de supervisão qualificados (sargentos e tenentes), com número excessivo de policiais em alta hierarquia prematuramente distanciados do comando operacional o gigantesco efetivo terá precário controle, criando condições para desvios funcionais já potencializados pela má formação. O custo institucional será altíssimo e em curto espaço de tempo.

Mas o lado mais retrógrado (porque era comum nas polícias militares nos períodos anteriores aos governos militares) foi a criação de um larga variedade de especialistas, todos oficiais de carreira, quando poderiam ser contratados civis, com menor comprometimento salarial e de estabilidade funcional:

Vejamos a relação de oficiais a serem concursados (já ingressam como tenentes, e, em muitos casos, podendo chegar a coronel):

1. Médicos: 850, sendo 6 coronéis

2. Dentistas: 312 (2 coronéis)

3. Enfermeiros: 220

4. Psicólogos: 100

5. Fisioterapeutas: 50

6. Nutricionistas 50

7. Farmacêuticos: 40

8. Assistentes sociais: 30

9. Veterinários: 25

10. Capelães: 20

11. Fonoaudiólogos: 16

12. Músicos: 11

13. Especialistas em rádio0comunicação: 7

14. Pedagogos: 16

15. Auxiliares administrativos: 584

Observações:

a. Primeira pergunta a fazer: se os 40 mil PM´s atualmente têm um dos piores salários do Brasil (pouco mais de mil reais, metade do que ganha um PM paulista ou um quinto do que recebe o policial do DF), como remunerar adequadamente 60 mil?

b. Por que tantos especialistas a serem concursados, se seria mais barato contratar no mercado de trabalho, com as facilidades de troca em caso de trabalho insatisfatório e com impacto muito menor na previdência estadual?

c. Por que 850 médicos, com um médico para cada 71 PM´s se a OMS prevê um para cada 1.000 habitantes? HÁ UM ABSURDO EMBUTIDO NESSE CONCURSO: OS ESPECIALISTAS DA ÁREA DE SAÚDE DA PM TRABALHAM 4 HORAS POR DIA, quando deveriam trabalhar as 8 horas como todos os demais servidores. Apenas servidores especialistas contratados podem trabalhar 4 horas se forem pagos para isso; como oficiais de salário integral devem trabalhar integralmente. UM ESCÂNDALO.

d. O que justificaria o tamanho dessa alta hierarquia médica: 6 coronéis, 40 tenentes coronéis 128 majores médicos? Será que um coronel médico teria disposição para cuidar da unha encravada de um soldado? NA PM DE SÃO PAULO EXISTE UM ÚNICO CORONEL PARA TODO O QUADRO DE SAÚDE, função destinada a administrar toda a Diretoria de Saúde da PM.

e. O que justifica a contratação de 40 farmacêuticos, o mesmo contingente existente no gigantesco complexo industrial da Johnsonn & Johnsonn? Em São Paulo, por herança do passado são aproximadamente 20.

E 20 capelães, o que justificaria, se o estado é laico e se os contingentes da PM não costumam ter missões em outros países, onde os policiais não teriam como freqüentar as paróquias locais? Não é suficiente ter igrejas perto de qualquer residência policial? A PM em São Paulo tem 3 capelães.

g. E por que não se contratam civis para a administração, como fazem as secretarias de estado ou os ministérios e empresas públicas?

h. Sem cálculos precisos podemos estimar o salário médio desses 2.331 oficiais especialistas em torno de 4 mil reais. Em valores básicos acarretaria um impacto mínimo de 120 milhões na folha de pagamentos da PM. Ocorre que o impacto total do custo desses especialistas é da ordem de 2,5 vezes seu salário (contando inclusive com o impacto futuro das aposentadorias e pensões, gastos com afastamentos, treinamento, fardamento, suporte administrativo, assistências médicas e sociais etc), algo em torno de 250 MILHÕES AO ANO. Tudo isso sem relevante impacto na melhoria da capacidade operacional dos efetivos verdadeiramente policiais.

i. A PM do Rio de Janeiro estaria bem servida com 50 mil integrantes melhor remunerados, principalmente se excluída a contratação absurda desses especialistas.

f. PREVISÃO DO LEGADO PÓS-OLÍMPIADA

Logo após os Jogos Olímpicos a segurança do Rio de Janeiro acentuará a crise que começará ser desenhada por volta de 2013 com os novos efetivos mal formados e mal supervisionados, engrossando milícias e aproveitando-se da cultura existente de corrupção e achaque. Com os oficiais se espremendo em busca da alta hierarquia onde ficam distantes da atividade operacional a tropa se sentirá abandonada e os custos irão às alturas com a paquidérmica estrutura de especialistas que comprometerão definitivamente as possibilidades de retribuição salarial condigna aos policiais militares. Definitivamente a PM e o governo do Rio de Janeiro estão dando tiros nos pés com essa balofa estrutura policial criada entre tantas insanidades.

Ainda dá tempo de algumas correções:

a. não efetuar os concursos dos especialistas,

b. limitar o aumento de efetivos em 50 mil,

c. colocar os coronéis para comandar batalhões operacionais, majores para comandar companhias de policiamento (com capitães para auxiliar a coordenação administrativa e operacional),

d. Reintroduzir a exigência de seleção para formar sargentos, introduzir exigências de cursos para as promoções a 2º e a 1º sargentos e a subtenente,

 e. Permitir a promoção exclusivamente pelo critério de existência de vagas, como ocorre em praticamente todas as demais polícias (atualmente o tenente é promovido automaticamente a capitão no máximo em 5 anos e 8 meses, mesmo sem existência de vagas para a função; o soldado é promovido automaticamente a sargento).


José Vicente da Silva Filho
Coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo, ex-secretário nacional de segurança pública, mestre em psicologia social pela USP, ex-consultor do Banco Mundial, foi chefe do serviço de seleção da PMESP

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Militares consideraram Amorim a pior escolha possível para a Defesa

Segundo fontes das Forças Armadas, há resistência contra o ex-chanceler devido às suas decisões 'completamente ideologizadas' durante o governo Lula.


A indicação do ex-chanceler Celso Amorim para o Ministério da Defesa já está provocando reações contrárias em Brasília. Militares dos altos comandos das Forças Armadas consultados pela reportagem consideraram esta "a pior escolha possível" que a presidente poderia ter feito.



Segundo esses interlocutores, Amorim contrariou "princípios e valores" dos militares nos últimos anos quando esteve à frente do Ministério das Relações Exteriores e até ex-ministro Nelson Jobim contornava as polêmicas causadas por decisões "completamente ideologizadas" de Amorim. Essas fontes questionam por que o governo decidiu colocar de novo um diplomata sobre os militares. Eles lembram que isso não deu certo com José Viegas e "não vai dar de novo". Para esses militares, a decisão da presidente foi precipitada, mas vão ter que engolir.


Tânia Monteiro, da Agência Estado

terça-feira, 2 de agosto de 2011

PM de Campinas, em SP, é a primeira do interior a usar tablets nos carros

Segurança Pública



A Polícia Militar de Campinas será a primeira do interior do Estado de São Paulo a usar um sistema de tablets (computador de mão) em todas as viaturas que circulam pela cidade. O objetivo é diminuir pela metade o tempo do atendimento de ocorrências, mudando a comunicação dos policiais via rádio pela online, segundo o site da EPTV. Os equipamentos começam a ser usados na sexta-feira e contam com ferramenta de GPS e AVL, um localizador automático de viaturas, para facilitar a transmissão de informações, registro de ocorrências e consulta de casos anteriores.

O tablet também poderá ser usado para consulta de placas de veículos e RG de suspeitos, procedimento que deve reduzir pela metade o tempo de uma ocorrência, já que não será preciso a comunicação com a central.

Todas as informações serão transmitidas via telefonia celular 3G, com acesso aos sistemas inteligentes de registro de ocorrências e informações criminais, Fotocrim (base informatizada de fotografias criminais) e Copom (centro de operações da PM).


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Crack ajuda a elevar estatísticas de homicídios no país

Saúde pública


 
 Usuários de crack em Manguinhos, no Rio - Foto: Domingos Peixoto/O Globo


O consumo do crack já provoca uma epidemia de homicídios no país, que vitima principalmente jovens de 15 a 24 anos e é um dos principais fatores do aumento da violência, especialmente no Nordeste. Luiz Flávio Sapori, professor da PUC Minas e um dos principais estudiosos do tema no Brasil, em dois anos de análise conseguiu constatar claramente este fenômeno nos dados de violência em Belo Horizonte, capital mineira.

- A fatia mais considerável da violência nas principais cidades brasileiras está relacionada à introdução do crack. Em especial no Nordeste, onde estão as capitais que tiveram o maior aumento de homicídios - afirma o pesquisador, que classifica o crack como a droga mais danosa da sociedade atual e critica a falta de medidas concretas de atenção ao problema por parte do governo federal.

Em Pernambuco, o crack já se alastrou por todas as cidades do estado . Ao lançar no ano passado o Plano de Ações Sociais Integradas de Enfrentamento ao Crack, o governador Eduardo Campos afirmou que 80% dos homicídios no estado tinham vinculação com o tráfico de drogas e que a grande maioria estava ligada ao crack.

" O Brasil simplesmente não tem uma política de atendimento ao usuário do crack "

Em Minas, Sapori conseguiu estabelecer esta relação entre o crack e o aumento da violência a partir de uma amostragem aleatória de inquéritos da Polícia Civil. Nos anos anteriores à inserção da droga na capital mineira, no meio da década de 90, o comércio de drogas era responsável por 8% dos crime contra a vida. A partir de 1997, este percentual cresceu consideravelmente, alcançando 19% dos crimes até 2004, e 33% em 2006.

- O Brasil simplesmente não tem uma política de atendimento ao usuário do crack. O SUS não está preparado tecnicamente para atender à especificidade do dependente de uma droga diferente de todas as outras existentes por aqui - diz o especialista.

Especialista defende internação forçada
 
Entre as medidas urgentes que ele defende estão a produção de conhecimento sobre o assunto e a quebra de tabus, entre eles a resistência à internação forçada - o que começou a ocorrer no Rio -, fundamental em vários casos, na opinião dele:

- As pessoas têm de saber que é uma droga muito sedutora e prazerosa, mas capaz de criar uma dependência química sem relação com outras drogas. O usuário não pode cair na visão ingênua de que vai conseguir fazer uso controlado do crack, pois a chance disso acontecer é quase nula.

Neste mês o tema se transformou em pauta principal do Instituto Minas pela Paz, organização da sociedade civil mantida por empresas ligadas à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). A ONG buscou o apoio do Conselho Estadual de Políticas Sobre Drogas (Conead-MG) e do Tribunal de Justiça para uma campanha para conscientizar sobre o drama. A mobilização levou um grupo de agências de publicidade a produzir todo o material voluntariamente.

" Não queremos que o governo federal dê comida, queremos que banque vagas "
 
Para especialistas, a timidez do apoio do Estado à política de atendimento aos usuários tem de acabar, e o desafio é encontrar um modelo de apoio. Por lei, o SUS não pode financiar a atividade que não do próprio governo, o que obriga o Ministério da Saúde a buscar maneira eficiente de financiamento. Uma das alternativas oferecidas pelo governo é oferecer ajuda na alimentação de dependentes.

- Não queremos que o governo federal dê comida, queremos que banque vagas - afirma o mineiro Aloísio Andrade, à frente do Colegiado de Presidentes de Conselhos Estaduais de Políticas sobre Drogas.

O colegiado propôs criar uma contribuição social de 1% do rótulo de bebidas e tabaco, carimbada para o financiamento de vagas para atendimento ao dependente químico. Mas não conseguiu o apoio do governo federal. O problema se agrava ainda com o crescente consumo de outras drogas devastadoras, como o oxi, ainda mais barata e letal que o crack.
 
 
Thiago Herdy (opais@oglobo.com.br)
 
 
Fonte: O Globo

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Bancos sofreram 838 ataques em todo País no 1º semestre, diz balanço

Pesquisa aponta SP como o Estado onde mais ocorreu esse tipo de crime, com 283 casos


    No primeiro semestre de 2011 foram registrados 838 ataques a bancos em todo o país, média de 4,63 ocorrências por dia. Deste total, 301 foram assaltos (incluindo sequestro de bancários e vigilantes) e 537 arrombamentos de agências, postos de atendimento e caixas eletrônicos (incluindo uso de maçaricos e explosões por dinamite). Em decorrência desses crimes, 20 pessoas foram mortas, incluindo 11 vítimas da chamada "saidinha de banco", quando o cliente é rendido por bandidos após sacar dinheiro em agências ou caixas eletrônicos.


    Estes dados constam da primeira Pesquisa Nacional de Ataques a Banco, divulgada nesta segunda-feira, 11, em Curitiba, pela Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV) e Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf).


    A pesquisa aponta São Paulo como o Estado onde mais ocorrera esse tipo de crime, com 283 casos. A maioria dos assassinatos também foi registrada em São Paulo, com 12 mortos. Em segundo lugar em número de assaltos está a Bahia (61 casos), seguida do Paraná (56). O Amazonas foi o único Estado que não registrou ataques a bancos ou a clientes.


    Os sindicalistas responsáveis pela pesquisa esperam que os bancos invistam mais em segurança. "A segurança bancária é tema mais importante até mesmo que questões salariais, porque envolve vidas. Os bancos não podem transferir essa responsabilidade para os clientes, proibindo, por exemplo, o uso de celulares dentro das agências", disse o presidente da CNTV, João Boaventura.


    As confederações apresentaram algumas propostas para melhorar a segurança nos bancos. Uma delas é a isenção de tarifas de transferência de recursos como forma de desestimular saques em dinheiro vivo e a instalação de biombos ou tapumes entre a fila de espera e os balcões dos caixas.


    O Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região, que apresentou um estudo relativo apenas ao Paraná , mostrou que o número de ataques no primeiro semestre deste ano, 52, já é bem maior do que o registrado no mesmo período de 2010 (29).



    Fonte: Estadão.com.br
    

    quinta-feira, 30 de junho de 2011

    Segurança Pública no Entorno do DF

    GGS



    O Gabinete de Gestão de Segurança do Entorno do Distrito Federal (GGS) está completando seis meses, apresentamos um resumo das nossas atividades nesse período:

    1. Visitamos os 19 Municípios que compõe o Entorno, mais de 50.000 km rodados;
    2. Em cada Município debatemos a situação do Entorno com o Prefeito e com o Presidente da Câmara de Vereadores, com o Juiz e com o Promotor Criminal, com o Delegado e com o Comandante local da PM, além da população em audiências públicas;
    3. Realizamos uma mesa redonda com os responsávei pela segurança na região: Delegados e Comandantes Regionais;
    4. Elaboramos um diagnóstico, por Instituição componente do Gabiente (PM, PC, BM, PROCON, AGSEP E SPTC), dos meios materiais e humanos existentes no Entorno (atual e ideal);
    5. Levantamos as reais taxas criminais da região e divulgamos as mesmas, assumimos o ônus da existência de 10.000 Inquéritos Policiais abandonados em gavetas e armários, postos policiais transformados em pombais foram mostrados no programa de maior audiência do País, nesse mesmo programa foi divulgado ser o Entorno a região mais violenta do Planeta: a culpa e a responsabilidade foi por nós assumida;
    6. Solicitamos apoio de todos as fontes: da ONU ao Ministério da Justiça. A ONU abriu as portas para pesquisas e o Ministério da Justiça nos forneceu a Força Nacional;
    7. Mostramos a realidade da região para a Imprensa Goiana, Brasiliense e Nacional;
    8. No poder Judiciário falamos com seu Presidente sobre as prisões lotadas, no poder Legislativo falamos com seu Presidente sobre a falta de leis na região;
    9. Levantamos quantos veículos estão apreendidos no Entorno e providenciamos a abertura de leilão dessa frota;
    10. Participamos ativamente das ordinárias dos Gabientes de Gestão Integrada de Segurança do Estado de Goiás, do Distrito Federal e do Entorno;
    11. Reunimos diversas vezes com o Secretário de Segurança Pública do Estado de Goiás e do Distrito Federal, além dos Secretários Extraordinários do Entorno, tanto de Goiás quanto do DF;
    12. Participamos de reuniões com o Presidente da Goiastur e sua equipe, debatendo sobre a Copa 2014 e seus reflexos no Entorno;
    13. Elaboramos as linhas mestras do PPA 2012-2015 para o Entorno juntamente com a SEGPLAN e a SSPJ; 
    14. Debatemos os problemas de segurança pública no Entorno com a Comissão de Segurança da Assembléia Legislativa, da Câmara Distrital e da Câmara dos Deputados;
    15. Reunimos com a bancada federal do Estado de Goiás, com o Senador Demóstenes Torres, com o Deputado Federal João Campos e com o Deputado Estadual Major Araújo. Todos viraram parceiros do Gabinete;
    16. Reunimos com as Associações, Sindicatos e Fundações representantes dos Policiais Militares, Policiais Civis, Bombeiros Militares, Agentes Prisionais e Políciais Científicos. Nenhuma porta foi fechada para o Gabiente, ao contrário, agregamos apoio incondicional das entidades de classe;
    17. Procuramos o Ministério da Integração Nacional, através da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE), onde conseguimos um forte aliado para solucionar os problemas crônicos da região;
    18. A Secretaria Nacional de Segurança Pública tornou-se um lugar comum, visto a quantidade de vezes que estivemos lá. Da SENASP conseguimos apoio para um estudo científico sobre a violência no entorno: causas, consequência e soluções. Em andamento;
    19. Em conjunto com Minas Gerais, o Distrito Federal e a União, esboçamos um termo de cooperação para atuarmos na região. É o primeiro passo para solucionar um problema que atinge todos nós;
    20. Reunimos com o Ministério Público, através da Coordenação de Projetos para o Entorno, e ganhamos mais um aliado;
    21. Reativamos o CIOPS de Águas Lindas que estava fechado há mais de 09 anos. Debatemos com a Gerência dos CONSEG's a possibilidade de construirmos mais Unidades no Entorno;
    22. Solicitamos e ganhamos mais de 20 módulos de Polícia Comunitária a serem instalados nos bairros mais violentos do Entorno;
    23. Debatemos a proposta da PEC 170  com todos os representantes de classe da segurança pública;
    24. Participamos de audiências públicas em Luziânia, Águas Lindas e Cristalina;
    25. Elaboramos relatório sobre a criminalidade em determinadas localidades visando subsidiar operações treinamento do Exército;
    26. Consultamos os bancos de dados do TRE onde constatamos que a grande parte dos eleitores do Distrito Federal residem no Entorno;
    27. Acordamos com a SEGPLAN metas a serem alcançadas pelo GGS;
    28. Participamos com todas as Instituições da segurança pública estadual de uma concorrência pelo melhor projeto estruturante: ganhamos o primeiro lugar;
    29. Elaboramos um Plano de Investimentos para o Entorno, na área de segurança pública, que vai mudar radicalmente a situação dessa região (falaremos mais a respeito em outro editorial);
    30. Debatemos a necessidade de reajuste da gratificação por localidade dos profissionais de segurança pública lotados no Entorno e solicitamos a inclusão dos agentes prisionais nessa gratificação;
    31. Participamos de debates em programas de TV e Rádio  no Distrito Federal e em Goiás, além das mídias nacionais.
    Em resumo, o GGS é um Gabinete que não dorme.

    sábado, 25 de junho de 2011

    Hacker que ataca sites do Governo pode ser Goiano

    Morador do Condôminio Eldorado em Goiânia



    Hackers divulgaram nesta sexta-feira dados do suposto líder da Lulzsec Brasil. Ele seria o responsável por atacar o site da Presidência da República, da Petrobras e por divulgar dados pessoais da presidente Dilma Rouseff e do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. O Jornal do Brasil teve acesso ao documento, divulgado pelo braço internacional da Lulz Security. De acordo com os hackers, o goiano Alexandre Brasil de Abreu teria usado indevidamente o nome da LulzSec para atrair a atenção da mídia e estaria envolvido com com fraudes bancárias na internet.


    Alexandre também seria o líder, segundo os hackers, do antigo Silver Lords, grupo brasileiro que ficou famoso ao assumir a liderança do ranking da Alldas, site que elegia os hackers mais perigosos do mundo. O comunicado, que se espalhou rapidamente pela comunidade underground de hackers, critica os ataques da facção brasileira.


    "Eles quis se afiliar à LulzSec, criando a LulzSec Brasil e conseguindo bastante atenção da mídia. No entanto, o que ele não sabe é que ele está trazendo desordem para qualquer operação séria (nós não estamos aqui para atacar qualquer site que aparece na nossa frente)", diz o comunicado, que também contém uma foto e o CPF de Alexandre.


    Nesta sexta-feira, a reportagem entrou em contato com hackers da cena brasileira, que criticaram duramente as ações do LulzSec, classificando-as como anarquistas.


    "Os caras estão atacando sites do governo, sites que prestam serviço à população. Será que alguém acha legal isso? Por que isso?", critica um brasileiro que atende pelo pseudônimo de Murder. "Esse Alexandre participa de uma rede de troca de senha de cartões de crédito chamada FullNetwork. Ele trabalha com fraude. Os integrantes do LulzSecBrazil são estelionatários que mantêm bancos de dados com cartões de crédito, contas bancárias e coisas parecidas, por isso não damos suporte a eles".


    Também brasileiro, Bonny acusou os hackers brasileiros da LulzSec de estarem arruinando a reputação do país na internet.


    "Defendemos ações que não prejudicam o povo. A partir do momento que eles começam a atacar órgãos públicos, a gente se mete. A Polícia Federal brasileira não tem nenhum preparo para lidar com esses caras".
    Antes de atacar o brasileiro, a LulzSec chegou a elogiar as ações realizadas no país.


    "Nossa unidade brasileira está fazendo progresso. Parabéns, irmãos da @LulzSecBrazil", disse a LulzSec Internacional, no seu perfil do Twitter.


    Nesta sexta-feira, o FBI e a CIA fazem uma varredura nos Estados Unidos para encontrar membros da LulzSec. Apesar de tirar sites do ar e revelar dados sigilosos, os ataques do grupo parecem não ter fins lucrativos. O nome "Lulz" vem da gíria online "lol", que significa "laugh out loud" (rindo alto, em tradução livre). Em todos as suas ações, o LulzSec deixa mensagens e imagens sarcásticas hospedadas nos endereços das vítimas.




    Jorge Lourenço



    Fonte: Site Terra

    segunda-feira, 20 de junho de 2011

    Desmilitarização dos bombeiros patina no Congresso

    BM, PM, PC...



    Duas propostas de emenda à Constituição, ambas apresentadas em 2009 e atualmente paradas na Câmara dos Deputados, buscam desmilitarizar os bombeiros em todo o país.


    A iniciativa não é nova. Pelo menos desde 1997, quando o assunto entrou na agenda do governo de Fernando Henrique Cardoso, esse tipo de projeto é travado pelo lobby das polícias.


    Agora, o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), criou uma comissão especial para analisar essas e outras propostas ligadas à área de segurança. A ideia é acelerar a tramitação dos projetos, enviando para votação no plenário os que obtiverem consenso.


    Mas a transformação dos bombeiros em órgão civil de defesa pública faz parte de um debate ainda mais polêmico: a unificação das polícias civis e militares, passo que pode levar ao fim das PMs.


    As duas propostas de emenda constitucional dedicam-se quase que inteiramente a isso, reservando um pequeno trecho à mudança de status dos bombeiros.



    Demétrio Weber, O Globo 


    Fonte: Blog do Noblat

    quinta-feira, 16 de junho de 2011

    Dilma é contra a PEC 300

    Política



    Em jantar com governadores do Nordeste, Ideli Salvatti pediu o engajamento de todos para evitar a aprovação da PEC 300, que estabelece piso salarial para policiais.

    Eduardo Campos (PSB-PE) reagiu: "Eu não vou para a porta do Congresso pedir voto contra um projeto que o Tarso Genro rodou o Brasil defendendo" - o então ministro da Justiça era a favor da emenda, com a ressalva de que não se deveria fixar valores.

    Quando a nova ministra mencionou que, desde segunda-feira, pedia a Dilma Rousseff que os recebesse, Campos atalhou: "Com todo o respeito, a senhora sentou nessa cadeira agora. Nós somos governadores eleitos. Não precisamos de ajuda para falar com a presidente". E completou: ""Nós somos aliados! Não estamos aqui para chantagear o governo!".


    Renata Lo Prete


    Fonte: Blog do Noblat

    GDF deve reduzir tempo de folga dos PMs para melhorar a segurança

    A melhor escala do mundo pode acabar
     
     
     
    Um dia após o sequestro de quatro reféns na 711 Sul, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) anunciou a preparação de um pacote de medidas para conter o avanço da violência na capital do país, especialmente no Plano Piloto. Um dos principais pontos da estratégia será a convocação dos policiais militares em folga para a realização de operações pontuais. Também haverá a redistribuição do policiamento ostensivo, além da efetivação de 1,3 mil homens entre setembro de 2010 e janeiro de 2012. Enquanto isso, especialistas, conselheiros comunitários e moradores criticam as atuais escalas da Polícia Militar, que poderiam ser repensadas para garantir mais PMs nas ruas.

    O secretário de Segurança Pública do DF, Sandro Avelar, revelou as mudanças após uma reunião com a cúpula da corporação, realizada na manhã de ontem. No encontro, o secretário e o chefe de Estado Maior da Polícia Militar, coronel Alberto Pinto, discutiram como farão para redistribuir o patrulhamento. Além disso, segundo Avelar, a SSP-DF se articula com outras secretarias do Governo do Distrito Federal (GDF) para realizar operações de combate ao tráfico de drogas. “No Plano Piloto, muitos dos casos de criminalidade estão ligados ao consumo de crack”, afirmou Avelar (leia Entrevista).

    A SSP-DF, que ontem admitiu deficit de 4 mil PMs, pretende ainda reforçar os postos comunitários de segurança do Plano Piloto com até 16 homens e dois carros. O policiamento a pé, realizado em dupla, conhecido como Cosme e Damião, também voltará a ser usado para as rondas. Avelar, no entanto, evitou falar em datas. “Posso dizer que será em breve. Caso algumas de nossas medidas não surtam efeito, poderemos também mudar o regime de escala da PM. Mas isso é somente uma ferramenta e não algo previsto”, explicou.

    O governador do DF, Agnelo Queiroz, mencionou ontem necessidades na área de segurança. Segundo ele, o GDF pretende aumentar o efetivo das polícias Civil e Militar e investir em equipamentos, em estrutura e em tecnologia. “Vai ter mais policiamento ostensivo e monitoramento com câmeras. É isso que está em curso, mas é um avanço progressivo. Temos um plano de contratação e também vamos realizar concursos anuais”, garantiu.

    Críticas

    Na visão do ex-secretário nacional de Segurança Pública, coronel José Vicente da Silva, o contingente policial do DF, se bem equacionado, atenderia a toda a capital e a parte do Entorno. Com um policial militar para cada 205 habitantes, o especialista explicou que Brasília tem quase três vezes mais homens do que São Paulo e quase o dobro do que Nova York. “E com salário de policiais de primeiro mundo. A capital federal enfrenta determinados problemas de violência, porque é mal resolvida com o policiamento. A escala de trabalho é folgada”, criticou.

    Para o coronel, o ideal seria que policiais trabalhassem oito horas e folgassem as 16 horas seguintes. Ou, então, que cumprissem uma escala de oito horas por dois dias seguidos e folgassem no terceiro. Também falta entendimento entre a PM e a Polícia Civil, que deveriam, na visão do especialista, compartilhar informações, banco de dados e locais de trabalho. “A escala, em outros lugares do Brasil é de 12 horas por 36. Não há efetivo que chegue. Em Nova York, o trabalho é de 8,3 horas diárias. Brasília tem uma folga bem paga, que não existe em outros lugares. Assim, o policial acaba fazendo bico.”

    O presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Brasília, Saulo Santiago, concorda com o especialista. “Tem que ser um regime que respeite as condições físicas do policial. Ninguém trabalha bem durante 24 horas seguidas. Agora, segundo a Constituição brasileira, a segurança pública é um dever do Estado e direito e responsabilidade de todos. As quadras que têm prefeitura são mais articuladas. O prefeito se reúne com a comunidade e, depois, com o conselho, que repassa a informação para a polícia. A 711 Sul, por exemplo, não tinha prefeitura”, alertou.

    O coronel Alberto Pinto, do Estado Maior da PM, rebateu as críticas quanto à escala. Segundo ele, “não existe a possibilidade de mudar a escala, determinada por forma de lei, e que atende normas mundialmente conhecidas de horas trabalhadas por horas de descanso.” Ainda assim, admitiu que o número de PMs está defasado no DF. “Temos 3,2 mil policiais nas ruas atendendo à população diariamente e 11 mil de um total de 14 mil se revezando. Temos uma carência de 5 mil homens, mas nosso regime de escala atende, de forma técnica a proporção entre horas trabalhadas por horas de descanso”, argumentou.
     
     
      Luiz Calcagno
    Kelly Almeida


    Fonte: Correio Braziliense

    quarta-feira, 15 de junho de 2011

    Criminalidade no Distrito Federal

    Opinião



    É interessante assistir um Estado rico, com efetivo mais que suficiente, ótimos salários, excelentes escalas de serviço, equipamentos de primeiro mundo... perder o controle sobre a criminalidade.

    O que está ocorrendo no Distrito Federal é o resultado da ignorância dos seus gestores. Não se faz segurança pública sem ações sociais.

    Nenhum efetivo será suficiente para a proteção dessa população.

    O problema do Distrito Federal é a falta de investimentos em educação e trabalho para a população do entorno, na falta de oportunidades de aprender e empregar estas pessoas migram para o crime.

    Sabe onde é o melhor lugar para a prática de crime: Brasília.

    Parem de tampar o sol com a peneira, antes que o sol queime os olhos de vocês, visto que a peneira já foi furtada.

    terça-feira, 14 de junho de 2011

    Uma cadeia com sexo, droga e festa

    Futuro das Penitenciárias Brasileiras




    PORLAMAR, Venezuela - Do lado de fora, o presídio San Antonio na ilha Margarita parece qualquer outra penitenciária venezuelana. Soldados de uniforme verde guardam seus portões. Atiradores de elite espreitam das torres de vigilância. Guardas olham ameaçadoramente para os visitantes antes de revistá-los na entrada.

     
    Mas, uma vez lá dentro, a prisão para mais de 2.000 venezuelanos e estrangeiros detidos principalmente por tráfico de drogas mais parece um resort inspirado na Playboy.

     
    Mulheres visitantes de biquíni desfrutam o sol do Caribe em uma piscina externa. O cheiro de maconha tempera o ar. O “reggaetón” retumba de um clube cheio de casais que dançam entrelaçados. Pinturas do logotipo da Playboy enfeitam o salão de bilhar. Os detentos e seus convidados apostam animadamente na ruidosa arena de briga de galos da prisão.

     
    “Os prisioneiros venezuelanos dirigem o show, e isso torna a vida aqui dentro um pouco mais fácil para todos nós”, disse Fernando Acosta, 58, um piloto mexicano preso desde 2007.

     
    A vida atrás das grades em San Antonio é uma mistura surreal de hedonismo e força. Alguns detentos caminham pelo terreno segurando rifles de assalto.

     
    “Eu passei dez anos no Exército, brinquei com armas toda a minha vida”, disse Paul Makin, 33, um britânico preso aqui em Porlamar por tráfico de cocaína em 2009. “Eu vi aqui algumas armas que nunca tinha visto. AK-47, AR-15, M-16, Magnum, Colt, Uzi, Ingram… Cite qualquer uma, aqui tem.”

     
    Os prisioneiros dizem que devem seus privilégios incomuns a um colega de prisão, Teófilo Rodríguez, 40, um traficante de drogas condenado que controla o arsenal que espanta Makin. Rodríguez é o principal líder dos detentos -um “pran”, como são chamados os prisioneiros que comandam.

     
    Rodríguez também atende pelo apelido de “El Conejo” (o coelho), o que explica a proliferação de sua marca registrada pelo presídio: as pinturas do logotipo da Playboy. Há muitas oportunidades para os detentos ganharem dinheiro. Visitantes que chegam da ilha, um destino turístico enfeitado por palmeiras, fazem fila nos fins de semana para apostar na rinha de galos da prisão ou comprar drogas dos prisioneiros.

     
    “O Estado perdeu o controle das prisões da Venezuela”, disse Carlos Nieto, diretor da “Window to Freedom” (janela para a liberdade), que documenta violações de direitos nos presídios do país.

     
    Grupos de direitos humanos dizem que a corrupção e o desmando institucional impediram as iniciativas para melhorar as condições em muitas prisões venezuelanas. Uma série de rebeliões de presos bem-sucedidas nas últimas semanas salientou as dificuldades.

     
    Luis Gutiérrez, o diretor de San Antonio, se recusou a comentar sobre a prisão que ele, supostamente, supervisiona.

     
    Os prisioneiros se gabam de que eles mesmos construíram seus alojamentos, com dinheiro próprio. Dizem que as fugas são raras (os detentos ainda enfrentam a ameaça de serem mortos por soldados do lado de fora). E, embora San Antonio, dificilmente, possa ser considerado seguro, os detentos afirmam que a paz costuma prevalecer.

     
    “Nossa prisão é uma instituição modelo”, disse Iván Peñalver, 33, um assassino condenado que é um cristão evangélico.

     
    “Há mais segurança aqui do que lá fora na rua”, disse Rodríguez, entrevistado enquanto os guarda-costas abriam ostras para ele.


    A vida sob sua proteção obedece a códigos próprios. As festas incluem grupos de rap convidados para se apresentar. Embora separadas por um muro, as 130 detentas no anexo feminino se misturam livremente com os homens. Algumas formam pares românticos.


    Em partes da prisão, predomina algo que se aproxima da normalidade.


    Um barbeiro corta cabelos, uma barraca de comida chamada McLandro’s vende sanduíches. O reggaetón do clube ressoa dia e noite. Os galos cantam de madrugada.


    “Eu acho difícil explicar como é a vida aqui”, disse Nadezhda Klinaeva, 32, uma russa que cumpre pena por tráfico no anexo feminino. Este é o lugar mais estranho em que já estive.


    Por Simon Romero -NYT.


    Fonte: Blog Diário de um Juiz

    CRACK














    Fonte: Folha de São Paulo

    PEC 300: a próxima crise

    "A inevitável explosão (maior ou menor) em torno da PEC 300 abre oportunidade para rediscutir a fundo a histórica desfuncionalidade da carreira policial no Brasil"




    A crise no Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro poderia ter sido evitada com um mínimo de previsão, bom senso e diálogo. O desvio de função retirando-os da defesa civil para tapar buracos na saúde, a persistência de um padrão salarial degradado e a falta de diálogo levaram à quebra de hierarquia e a formas de luta questionáveis. No final, fica um desgaste persistente que irá fatalmente se refletir na qualidade desse serviço vital para a população. Pois essa crise foi uma antecipação, em escala local,  do potencial tsunami institucional que se avoluma no horizonte do Brasil resultante da má gestão político-institucional da PEC 300, que nivela os salários de policiais militares, civis e bombeiros de todo o país aos da PM do Distrito Federal.

    O ministério do planejamento adverte que isso custaria mais de R$ 50 bilhões e que não só os estados não teriam condições de pagá-lo como o governo federal não conseguiria apoiá-los para tanto. Isso, porém, não impediu a base parlamentar do governo Lula de ter, em ano eleitoral, votado massivamente a PEC 300, aprovando-a nas duas casas legislativas com uma mudança no Senado que obriga a fazê-la passar novamente na Câmara onde, agora, a bancada do governo está instruída a não deixá-la prosperar.

    Já se esboça uma forte mobilização de policias,  existe no ar uma intensa sensação de frustração com acusações de traição ao governo e à sua base parlamentar. Os setores mais fisiológicos da base governista já saboreiam essa nova gota de sangue no mar de tubarões. Corremos o risco de mobilizações de rua de policiais civis, militares e bombeiros, confrontos, motins, numa escala inédita.

    O Titanic navega a todo vapor rumo ao iceberg mas não parece haver sentido de alerta na ponte de comando. O governo não vai escapar de algum grau de concessão para pagar o preço de ter lidado com a questão de forma eleitoreira em passado recente. É de um cinismo sem limites terem votado por conveniência eleitoral o que hoje consideram algo “totalmente inviável”. Detalhe:  não o fizeram com aquela  relativa irresponsabilidade facultada à oposição mas como base de governo. Em política pública, isso tem custo alto. Aqui se faz, aqui se paga.

    Mas há um lado de oportunidade em qualquer crise. A inevitável explosão (maior ou menor) em torno da PEC 300 abre oportunidade para rediscutir a fundo a histórica desfuncionalidade da carreira policial no Brasil. A questão das “escalas de serviço”, do duplo emprego, das nossas polícias de “bico”, a part time, onde a segurança pública acaba ocupando a parte menor do tempo dos nossos policiais civis e militares e a maior acaba dedicada a outra atividade remunerada frequentemente vinculada à segurança privada. Isso produz  falta de efetivo, má qualidade de serviço e de adestramento e estimula toda espécie de desvios.

    Cabe um discussão séria e um eventual sacrifício orçamentário de outros gastos de governo - pequeno exemplo: acabamos de passar cerca de meio bilhão de reais de incentivo fiscal a usinas nucleares, na MP 517 - para aumentos substanciais que, escalonados no tempo, possam chegar ao padrão disposto na PEC 300, em troca da instituição, de fato,  da dedicação exclusiva dos policiais à segurança pública com o fim  do duplo emprego.

    O eventual tempo livre, resultante dos atípicos horários de trabalho policiais, ficaria dedicado ao adestramento e à formação profissional permanente. Isso passaria também pela instituição de um fundo nacional de segurança mais abrangente que, à semelhança do FUNDEB(Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) possa complementar salários apoiando os estados. Nada disso será simples. Mas a qualquer momento periga virar urgência urgentíssima...

    * Deputado federal pelo Partido Verde (RJ), do qual é um dos fundadores, tem 60 anos, e foi secretário de Urbanismo e de Meio Ambiente da cidade do Rio de Janeiro e vereador. Jornalista e escritor, é autor de oito livros, dentre os quais Os carbonários (Premio Jabuti de 1981) e o recente Ecologia urbana de poder local. Foi um dos líderes do movimento estudantil secundarista, em 1968, e viveu no exílio durante oito anos.



    Fonte: Blog Congresso em Foco

    terça-feira, 7 de junho de 2011

    Notícias da Terrinha

    Operação Sexto Mandamento

    PMs serão trazidos para Goiânia


    Justiça estadual autorizou ontem a transferência de 5 militares para Centro de Custódia da Polícia Militar


    Dos 18 policiais militares acusados de participação em grupos de extermínio em Goiás e encaminhados ao presídio federal de Campo Grande (MS), após prisão deles pela Polícia Federal durante a Operação Sexto Mandamento, deflagrada em 15 de fevereiro passado, 5 serão trazidos de volta para Goiânia nos próximos dias. Na capital, eles deverão permanecer presos no Centro de Custódia da Polícia Militar (PM), que foi reformado recentemente para receber os detentos.

    A decisão de recambiar os PMs para Goiânia é da Justiça e atendeu pedido feito pelo comando da PM e pela defesa dos policiais, que sustentaram que o local correto para custódia deles é mesmo o presídio militar. Serão transferidos para capital os subtenentes Fritz Agapito Figueiredo e Hamilton Costa Neves e os cabos Cláudio Henrique Camargos, Alex Sandro Souza Santos e Ricardo Rodrigues Machado.

    Conforme apurado pelo POPULAR, a tendência é que os demais PMs detidos no Mato Grosso do Sul por força de mandados de prisão expedidos por juízes de Acreúna, Rio Verde e Alvorada do Norte também sejam autorizados a retornar à capital.

    Ao chegarem a Goiânia, os PMs se encontrarão com o 1º tenente Vítor Jorge Fernandes. Ele havia sido solto, no dia 31 de março, sob alegação de que não existiam provas da participação dele em execuções. Contudo, a Justiça voltou atrás e determinou a prisão preventiva do acusado, que já está, inclusive, preso em uma das celas do Centro de Custódia.

    Para permitir a volta dos PMs, contudo, a Justiça determinou que fosse feita vistoria no Centro de Custódia pelo juízo da Vara de Execuções Penais. A intenção era verificar se o local é suficientemente seguro para receber os presos. Isso foi preciso porque a principal justificativa da Polícia Federal para transferência dos policiais era a suposta fragilidade no sistema de segurança do presídio militar do Batalhão Anhanguera, em Goiânia. Durante as investigações, a PF teria percebido até a desobediência à ordem jurídica na unidade militar. Entre as facilidades apontadas estavam a saída dos presos, sem qualquer autorização legal.

    Depois de vistoriar o Centro de Custódia, o juízo da Vara de Execuções Penais entendeu que todas as 20 celas do estabelecimento prisional "atendem às condições de segurança, prestação de serviços sociais, religiosos e os concernentes à dignidade da pessoa humana".

    Com a avaliação positiva da unidade prisional, a Justiça também ponderou que o recambiamento dos PMs evitará gastos para o Estado, pois todos devem ser trazidos periodicamente para a capital para acompanharem as audiências previstas ao longo do andamento processual, como prevê a lei processual penal. Isso inclusive já ocorreu com o major Ricardo Rocha, que teve de ser trazido no último dia 16 de março para acompanhar o depoimento de testemunhas na ação em que é acusado do homicídio do operador de máquinas Higino Carlos Pereira de Jesus.

    Além da volta para a capital, os PMs têm tentado obter habeas-corpus (hc) no Tribunal de Justiça de Goias (TJ-GO). Hoje, por exemplo, está previsto o julgamento de hc proposto pelo ex-subcomandante da Polícia Militar, coronel Carlos Cézar Macário que, na semana passada, foi denunciado pelo Ministério Público, juntamente com outros cinco policiais militares, pela morte de Deivid Dias, ocorrida no dia 24 de junho de 2010, em Acreúna.

     

    MP foi contra retorno de policiais para a capital



    A decisão da Justiça de autorizar a transferência dos cinco policiais militares para Goiânia contrariou parecer do Ministério Público (MP) estadual. O órgão ministerial sustentou que, ao readaptar celas suficientes apenas para receber os PMs presos durante a Operação Sexto Mandamento, a Polícia Militar está oferecendo tratamento diferenciado a eles, em detrimento daqueles policiais que eventualmente estejam detidos provisoriamente no Estado.

    Além disso, o MP ponderou que o comando-geral da PM não tem "titularidade" para elaborar requerimentos visando a transferência dos Policiais Militares por não ser "parte no processo". Sustentou também que as adequações no Centro de Custódia da Polícia Militar foram feitas sem qualquer previsão orçamentária, ferindo o que prevê a lei para a construção de obras públicas.

    Centro de Custódia pronto para receber presos


    O novo Centro de Custódia da Polícia Militar, no Setor Leste Universitário, passou por reforma, readequação e ampliação nos últimos meses e com capacidade para abrigar 20 presos, já tem um militar em suas instalações desde o dia 31. O tenente Vitor Jorge Fernandes teve a prisão preventiva decretada naquele dia. Ele é um dos 19 militares presos durante a Operação Sexto Mandamento da Polícia Federal.

    O novo presídio militar tem duas alas, com cinco celas cada. Dois presos por cela, totalizando capacidade máxima de 20 presos. Um pátio de banho de sol foi construído em um anexo ao prédio. Foi construído também um parlatório para o recebimento de visitas.

    Um vidro faz com que preso e visitante não tenham contato físico. "Não é proibido o contato. Não é um presídio de segurança máxima", explicou o comandante da Academia da Polícia Militar, coronel Júlio César Mota. Os presos devem ficar o tempo todo nas cela.

    Helicópteros sairão do chão

    Pacote para PM goiana

    Divisão do fundo milionário